02 de setembro de 2026 · Por Jean Hebert

Selante para pneu de empilhadeira: como aplicar

Em resumo

Dose, procedimento pela válvula e o checklist antes de aplicar selante em pneu de empilhadeira. O que conferir na carcaça e o que impede a aplicação.

empilhadeiraotraplicacaodosagem
Aplicação de selante pela válvula do pneu de uma empilhadeira em oficina de frota

O procedimento, do jeito que a manutenção faz

Aplicar selante preventivo em pneu de empilhadeira não é serviço de especialista. É procedimento de manutenção, e o que separa a aplicação certa da errada é o checklist antes, não a habilidade durante.

Em pneu sem câmara (tubeless), que é o caso da maioria das empilhadeiras pneumáticas, a sequência é direta: posicione a válvula no ponto mais alto, alivie a pressão até perto de zero para o gel entrar sem contrapressão, injete a dose calculada pela haste da válvula e calibre de volta na pressão de trabalho.

Em pneu com câmara, a aplicação entra no serviço de montagem ou remontagem — é quando a câmara está acessível. Não há vantagem em forçar aplicação fora dessa janela.

O checklist antes: quatro conferências

Esta é a parte que decide o resultado, e é onde a pressa custa caro.

Sulco acima de 5 mm. É a condição de entrada. No indicador TWI de 1,6 mm ou abaixo, o pneu está no fim da vida útil e a orientação é trocar, não blindar.

Carcaça sem dano estrutural. Corte lateral, rasgo, bolha e talão danificado não são furo — a estrutura perdeu resistência mecânica e nenhum selante devolve isso.

Aro íntegro. Empeno e oxidação avançada precisam de tratamento antes. O gel protege o aro por dentro — pH entre 7,0 e 8,0, neutro, com proteção anticorrosiva em quatro camadas: pH neutro, inibidores de corrosão, barreira contra umidade e barreira contra oxigênio —, mas ele não recupera aro já comprometido.

Máquina sem defeito mecânico. Freio, suspensão e alinhamento fora de ordem continuam castigando o pneu. Selante não corrige mecânica, e aplicar antes do reparo é inverter a ordem.

A dose: a conta, não o palpite

SituaçãoRegra do manual
Pneu de automóvel (utilitário de apoio)(largura × perfil × aro) × 3,6 para perfil até 40 · × 3 acima de 40
Empilhadeira e equipamento de baixa movimentaçãoDose acima da tabela padrão
Pneu com histórico de vários furosDose acima da tabela padrão

Um exemplo fechado para o utilitário do armazém: um 225/40 R17 recebe (225 × 40 × 17) × 3,6 = 550 ml. Para os pneus da empilhadeira em si, a dose sai da tabela de aplicação por medida, com o acréscimo da regra de baixa movimentação.

A razão da regra é operacional: equipamento que passa boa parte do turno parado dá menos oportunidade para o gel se redistribuir pela força centrífuga. É a mesma orientação usada em trator.

O que acontece dentro do pneu depois

A ação é física, não química. O gel de alta viscosidade carrega partículas sólidas e fibras de aramida — a mesma fibra do colete à prova de bala — e se distribui na parede interna assim que a roda gira.

Quando um prego de palete perfura, o ar em fuga arrasta o gel até o ponto de escape. As fibras se travam no canal e o gel age como ligante, formando um tampão flexível e permanente. O pneu não perde pressão e a máquina não sai de operação.

A formulação trabalha na faixa de -30 °C a +140 °C e os componentes atuam como dissipadores e condutores de calor — carcaça calibrada por longos períodos chega a rodar até 30 °C mais fria que a mesma murcha. A viscosidade é medida em cP pelos ensaios ASTM D2196 / D445; a gravidade específica de 1,08 g/cm³ distingue um selante de linha pesada de um produto leve de 1,02 g/cm³, de bicicleta.

Qual linha entra depende do porte: TEX OTR cobre furos de até 50 mm conforme a estrutura do pneu, e TEX MAXXI, indicado para empilhadeira leve e utilitário de apoio, veda furos de até 9 mm. A faixa não é fixa — ela varia com dureza da borracha, número de lonas e qualidade do pneu, e mais de 90% dos furos ficam na banda de rodagem, que é onde a dose padrão trabalha.

Depois da aplicação: duas linhas na ficha

Calibre na pressão de trabalho da máquina e da carga. Depois, registre na ficha do equipamento a data e a dose aplicada.

Não é porque o produto vença — a aplicação é única e dura a vida útil do pneu, sem reaplicação. É rastreabilidade: quando o pneu chegar ao fim e for para reparo ou recape, quem receber a carcaça saberá o que ela tem dentro. E na frota, o registro é o que permite comparar paradas por furo antes e depois.

Quanto isso custa em hora de operação

O pneu não é a despesa; a doca parada é. Monte a conta: some o custo em R$ por hora parada — mão de obra ociosa, caminhão esperando, janela de expedição encolhendo — e multiplique pelas horas de máquina fora no ano.

Compare com a referência que a fábrica declara para o tratamento preventivo da carcaça: em média 10% a 15% do valor de um pneu novo, variando por porte e por fornecedor. Em armazém com poucas máquinas, a primeira parada evitada já costuma pagar a aplicação da frota.

O que a aplicação não resolve

O selante não substitui a inspeção periódica do pneu: calibragem, desgaste e alinhamento continuam sendo rotina, e é essa rotina que faz a carcaça chegar íntegra ao fim da vida.

E ele não se aplica a pneu maciço nem a press-on — não há ar nem cavidade interna onde o gel se distribua. Se a empilhadeira usa um desses, a conversa é outra: veja a comparação entre maciço e pneumático blindado.

Para o mecanismo completo nesta máquina, veja blindagem de pneu de empilhadeira. Para o panorama do território, o hub de OTR e máquinas de movimentação.

Veja os produtos TEX para OTR & mineracao e fale com a fábrica para dimensionar a aplicação.

Ver OTR & mineracao →

Perguntas frequentes — OTR & mineracao

Dúvidas e objeções reais, respondidas pela equipe técnica TEX (alinhadas ao manual).

Quem pode aplicar o selante na empilhadeira?

A equipe de manutenção da própria frota ou a borracharia que já atende o equipamento. Não é serviço que exija ferramenta especial na maioria dos casos: em pneu sem câmara a aplicação é pela válvula, com o pneu íntegro e a pressão aliviada. Em pneu com câmara, acontece na montagem ou remontagem.

Precisa desmontar a roda?

Em pneu sem câmara, não: alivia-se a pressão, injeta-se a dose pela haste da válvula e calibra-se de volta. Em pneu com câmara, sim — a aplicação entra no serviço de montagem ou de remontagem, que é quando a câmara está acessível.

Como calculo a dose?

A dose sai da medida do pneu, pela tabela de aplicação. Para pneu de automóvel — caso do utilitário de apoio do armazém — a fórmula é (largura × perfil × aro) × 3,6 para perfil até 40; um 225/40 R17 recebe 550 ml. Para empilhadeira, vale a regra adicional: equipamento de baixa movimentação leva dose acima da tabela.

O que conferir antes de aplicar?

Quatro coisas, nesta ordem: sulco acima de 5 mm; ausência de corte lateral, bolha ou rasgo; aro sem empeno e sem oxidação avançada; e a máquina sem defeito de freio, suspensão ou alinhamento. Falhou qualquer uma, o caso é reparo ou troca — aplicar selante ali é gastar produto num pneu que vai sair de linha de qualquer jeito.

Preciso recalibrar depois?

Sim. Depois da aplicação, calibre na pressão de trabalho indicada para a máquina e a carga. E vale registrar a data e a dose aplicada na ficha do equipamento — não porque o produto vença, mas porque a rastreabilidade ajuda quando o pneu chega ao fim e alguém pergunta o que ele recebeu.

Dá para aplicar com o pneu já furado?

Não é para isso que o preventivo serve. Ele é aplicado no pneu íntegro, para agir no instante em que a perfuração acontecer. Com o pneu furado e murcho, o caminho é o reparo primeiro; a aplicação preventiva vem depois, para que o próximo furo não tire a máquina de operação.

A aplicação vence? Precisa repetir?

Não. A aplicação é única e dura a vida útil do pneu, sem validade interna e sem reaplicação. O gel não seca nem endurece dentro da carcaça.

O selante atrapalha o serviço da borracharia depois?

Não. A formulação não leva colas nem adesivos e o gel é solúvel em água na desmontagem. A carcaça segue apta a reparo e a recapagem, e o sensor de pressão, quando existe, continua funcionando.

Quer aplicar isso na sua operação?

Fale direto com a fábrica no WhatsApp e receba a recomendação técnica para o seu veículo e uso.