Glossário técnico · Por Jean Hebert
Ativação
Em resumo · Ativação é o processo físico no qual o gel selante TEX, sob vibração ou fuga de ar, fluidifica, migra até o furo e forma um tampão flexível de vedação.
Também chamado de: ativar, ativação do selante, ativação da vedação, efeito de blindagem.
O que é a ativação e por que ela define o mecanismo do selante
A ativação é o gatilho físico que tira o selante do estado inerte e o coloca em ação. O TEX não age por química: é um gel thixotrópico de alta viscosidade que, sob vibração, rotação ou uma fuga de ar, se fluidifica o suficiente para migrar até o furo, formar um tampão flexível e voltar a engrossar em repouso. Sem esse estímulo, o gel permanece depositado na parede interna, protegendo a carcaça, mas sem cumprir a vedação. Por isso, em aplicações com movimentação constante, o selante está sempre “armado”: basta o furo acontecer dentro da banda de rodagem para a vedação ser imediata. Essa característica é diferente de um spray emergencial, que precisa de ação manual após o furo — o preventivo TEX já está ativo o tempo todo.
A importância desse mecanismo é evidente em operações de mineração e OTR. Numa pá carregadeira Cat 994K, o ciclo de trabalho é curto e repetitivo: carregar, descarregar, retornar, cerca de 240 caçambadas de 35 toneladas por turno. Cada ciclo submete o pneu a impacto e vibração, o que ativa o polímero continuamente. Em ensaios internos com ciclo de 4 minutos, a retenção do gel ficou acima de 99% após 2.000 ciclos, sem degradação. O resultado prático: quando um fragmento de rocha atinge o pneu, o selante já está distribuído e sela em milissegundos — a produção não para.
Para se aprofundar no comportamento físico, veja o verbete thixotropia.
Vibração e impacto: os aliados da ativação no trabalho pesado
É comum o operador de equipamento de mina perguntar se a vibração extrema — lâmina de motoniveladora, impacto de escarificação, ciclo de carga — não degrada o selante. Ocorre o oposto: a vibração é o principal fator de ativação. Numa motoniveladora que opera com a lâmina em movimento, a vibração simulada de 50–100 Hz foi aplicada em testes e a efetividade se manteve acima de 98% após 1.000 horas. O mecanismo é um ciclo contínuo: vibração → fluidificação → distribuição uniforme → re-viscosificação. A máquina que trabalha o dia inteiro na face de rocha está, na prática, ativando o selante a cada movimento.
O impacto também aumenta a capacidade de vedação. Em um wheel dozer escarificando quartzito de ângulo agudo — um dos perfurantes mais agressivos —, o impacto causa aumento momentâneo da pressão interna; o gel fluidifica e sela ainda melhor sob essa pressão. Em operação real, o pneu furado pelo quartzito vedou e o dozer terminou a escarificação. O mesmo princípio vale para a estrada interna de 15 km mantida por uma motoniveladora: cada furo, se não fosse vedado, comprometeria a meta de 98% de disponibilidade da via. O selante, ativado pela própria operação, evita que o reparo aconteça fora da base e elimina a espera de um pneu reserva importado com prazo de 30 dias. Veja mais em categoria OTR e máquinas de movimentação.
Ativação na aplicação: LASTRO GEL, água e a calibragem de uniformização
Nem toda ativação acontece apenas pela operação. Na aplicação, dois procedimentos garantem que o selante fique ativo desde o primeiro quilômetro. O primeiro é o caso dos pneus com água, comum em agro e OTR: o manual orienta, após aplicar a dose de TEX LASTRO GEL, adicionar o máximo de água possível e usar um misturador de tinta acoplado a furadeira. Isso acelera a diluição, antecipa a homogeneização e ativa o efeito de blindagem antes de a máquina entrar em serviço. Como a água reduz a viscosidade do conjunto, a mistura mecânica é essencial para que o gel alcance toda a parede interna. Confira a categoria de pneus com água.
O segundo procedimento vale para pneus com ar: após aplicar o selante, calibre com 15 PSI acima da pressão ideal, rode o veículo para uniformizar o gel e então ajuste a pressão de trabalho. Essa rodagem de uniformização é uma ativação deliberada: ela força o gel a se espalhar antes da operação normal. O conjunto roda-pneu deve ser manuseado sem quicar após a uniformização, para o gel não se acumular. Toda a linha TEX tem pH neutro (7,0 a 8,0), gravidade específica 1,08 e opera de -30 °C a +140 °C — faixa que garante a ativação em qualquer condição de trabalho prevista, da calota polar à mina a céu aberto. A documentação técnica detalha o procedimento completo.
| Tipo de ativação | Física (thixotrópica) — sem reação química |
|---|---|
| pH | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Faixa térmica | -30 °C a +140 °C |
| Gravidade específica | 1,08 |
| Procedimento de ativação na aplicação | 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar |