Glossário técnico · Por Jean Hebert
Garantia
Em resumo · Garantia de pneu: cobertura condicionada à integridade da carcaça e ao uso correto. O selante TEX não a invalida, mas impactos e desbalanceamento a quebram.
Também chamado de: garantia de pneu, cobertura de garantia, termos de garantia, garantia do fabricante de pneus, condições de garantia TEX.
O que a garantia cobre e o que ela não cobre
A garantia TEX está vinculada ao uso correto do produto, conforme instruções do manual técnico. Cobre a vedação de furos na banda de rodagem — a região que concentra mais de 90% das perfurações — dentro do teto de vedação da linha aplicada, que varia conforme o segmento (por exemplo, até 8 mm em veículos leves na linha TEX BLACK). O reparo é definitivo nos casos em que a estrutura do pneu não foi comprometida: a vedação é formada por um plug físico de fibras de aramida e polímeros, ancorado na carcaça. Não havendo estrutura, não há vedação — e a garantia não cobre pneu rasgado, cortado ou arrombado, nem furos fora da banda de rodagem (ombro e flanco).
Também ficam de fora da cobertura os danos causados por impacto externo. O selante proporciona balanceamento hidrodinâmico, mas se a roda sofrer um impacto que a amasse e gere trepidação, a roda deve ser consertada ou balanceada — e, como o pneu será desmontado, o gel será removido, exigindo nova carga. Esse caso não é coberto pela garantia, porque a causa é mecânica, não uma falha do produto.
A garantia é invalidada pelo uso fora dos padrões dos fabricantes do veículo e do pneu: aplicação em pneu careca, com sulco abaixo de 5 mm ou no TWI (1,6 mm), desbalanceado, com aro empenado, ou em veículo com defeito de freio, suspensão ou alinhamento. Em resumo: o selante cobre o que a estrutura do pneu permite vedar; o que destrói a estrutura, ou o pneu que já estava com a estrutura comprometida, não está coberto.
Selante TEX e a garantia do fabricante do pneu
A pergunta mais comum na operação é se o selante invalida a garantia do pneu. A resposta honesta é: não há resposta generalizada, porque os fabricantes de pneus possuem termos de garantia altamente restritivos. O que o manual TEX afirma, com base na física do produto, é que o gel não compromete fisicamente o pneu. Ele não age por ação química — não é cola —, tem pH neutro (7,0 a 8,0), contém inibidores de corrosão e não ataca o aro de aço ou liga leve. É seguro para TPMS e não contém solventes.
Além disso, toda a linha TEX é biodegradável, altamente lavável e solúvel em água. Na hora da recapagem, o produto sai na lavagem e não inviabiliza a reforma — ao contrário, preserva a carcaça apta à reforma, enquanto reparos por vulcanização podem, em alguns casos, inutilizar a carcaça para a próxima recauchutagem. Ou seja: o selante atua como uma barreira contra furos, porosidade e infiltração, e incrementa fatores de segurança que os próprios fabricantes reconhecem como benéficos à vida do pneu.
O que, de fato, quebra a garantia do fabricante é o mau uso: rodar descalibrado por longos períodos, sobrecarga, impacto, aplicação em pneu com dano estrutural. O selante mantém a pressão por semanas ou meses, mas não substitui a calibragem correta — e é justamente a calibragem mantida que protege a carcaça contra calor excessivo (até 30 °C a menos na rolagem) e contra os estouros. Regra prática: se o pneu está em condição de receber o produto e o veículo opera dentro dos padrões, o selante não é motivo de negativa; se o pneu é usado fora dos padrões, a garantia se perde por causa do uso, não do selante.
Como manter a garantia válida na operação
Na prática, garantir a cobertura é seguir o procedimento do manual. Antes de aplicar, confira o sulco mínimo de 5 mm e o TWI (1,6 mm): pneu no limite ou abaixo dele deve ser trocado, não tratado. Pneu careca, com deformação, desbalanceado, aro empenado ou veículo com defeito de suspensão/freio também não pode receber o produto. A dose deve seguir a tabela — por exemplo, em automóvel, (largura × perfil × aro) × 3,6 para perfil ≤ 40, ou × 3 para perfil > 40 — e, em caso de furo fora do padrão, o ajuste é no nivelamento, não na troca de produto.
Após a aplicação, o procedimento exige calibrar com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar o gel e então ajustar para a pressão de trabalho. Nunca quicar o conjunto roda-pneu no chão depois da uniformização, pois o gel volta a se acumular. Mantenha a calibragem correta ao longo da operação — o selante preserva a pressão, mas não corrige negligência de manutenção.
| pH do gel | 7,0 a 8,0 (neutro) |
|---|---|
| Faixa térmica de serviço | -30 °C a +140 °C |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm |
| TWI (limite de troca) | 1,6 mm |
| Aplicação | Única, sem reaplicação, para toda a vida útil do pneu |
| Composição | Fibras de aramida (Kevlar), polímeros, sem colas ou solventes |