Glossário técnico · Por Jean Hebert
Ajuste
Em resumo · Ajuste é a correção da dose, do nivelamento ou da pressão do selante para cobrir furos fora da banda de rodagem e operações severas.
Também chamado de: ajuste de dosagem, ajuste de nivelamento, ajuste de pressão, dosagem severa, nivelamento do selante.
O que é o ajuste no selante TEX
No manual da TEX Selantes, o termo ajuste não descreve um passo opcional nem uma revisão depois de meses: é a correção de dose, de nivelamento ou de pressão feita no momento da aplicação, quando a operação foge do padrão que a tabela cobre. A dosagem padrão é calculada para proteger a banda de rodagem, onde acontecem mais de 90% dos furos. Em operações de alta severidade, o pneu pode apresentar inúmeros furos ao longo da vida, e eles costumam ultrapassar o ombro (a quina) e avançar pelo flanco. Nesse cenário, a dose da tabela é insuficiente em dois sentidos: volume, porque são muitos furos; e nível, porque o gel não alcança a região furada. É exatamente para isso que existe o ajuste de nivelamento e a dosagem severa. O manual é claro: volumes insuficientes e escolha inadequada do tipo de selante podem causar baixa ou nenhuma vedação. Quem opera sabe o custo disso: parada de máquina, resgate em campo, SLA estourado. Na prática, é o mesmo problema que tira uma máquina de colheita do talhão na hora mais crítica ou faz um caminhão de carga furar o SLA de entrega: o custo não está no selante, está na parada. Por isso o ajuste nasce da análise da operação, não de uma conta genérica — e o suporte da TEX orienta por boletins técnicos e cursos de formação. Veja as orientações no /manual/.
Cálculo e ajuste: quando a tabela não basta
As fórmulas publicadas no manual calculam a dosagem mínima, nunca os ajustes de nível nem as dosagens severas. Para automóvel, por exemplo, a conta é (largura × perfil × aro) × 3,6 quando o perfil é até 40, ou × 3 quando o perfil passa de 40 — no caso de um pneu 225/40 R17, são 550 ml. Para moto, a fórmula usa polegadas e tem mínimo de 240 ml: (altura × largura) × 0,066. Esses números são o ponto de partida. Se a operação é de colheita, florestal, OTR ou transporte fora-de-estrada, o histórico de campo costuma mostrar furos no ombro e no flanco. A correção recomendada é o ajuste de nivelamento: levantar o nível do gel dentro do pneu para cobrir a região danificada. A técnica de referência publicada no manual é encher um pneu na vertical com água até o nível desejado, anotar quantos litros foram usados e replicar essa dose corrigida na frota. O estudo de caso da fazenda de dendê é o exemplo clássico: espinho de palma perfurava acima do nivelamento padrão, e a solução foi ajustar o nivelamento — não trocar de produto. Em operações de menor movimentação, como trator, a dose já parte maior; muitos furos ou furos fora do ombro pedem dose acima da tabela. Consulte também as orientações por segmento em /seguimento-agricola/, /categoria-florestal/ e /categoria-otr-e-maquinas-de-movimentacao/.
Ajuste de pressão e regras de aplicação
O ajuste também aparece no procedimento de aplicação. Depois de inserir o selante, o manual manda calibrar o pneu com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar o gel e então ajustar para a pressão de trabalho. Ao conferir a calibragem, se necessário, faz-se novo ajuste de pressão. Uma regra prática importante: nunca quicar o conjunto roda-pneu no chão depois da uniformização, porque o gel volta a se acumular. O ajuste de pressão é parte do que mantém o pneu rodando calibrado por semanas — e pneu calibrado aquece menos, chegando a rodar até 30 °C mais frio, o que preserva a carcaça para reformas. Mas o ajuste não permite aplicar selante em pneu sem estrutura: sulco mínimo de 5 mm, TWI de 1,6 mm para troca, pneu careca, desbalanceado ou com aro empenado não recebe o produto. O selante não torna pneus indestrutíveis; sem estrutura não há vedação. A aplicação é única e dura até o pneu ser desmontado — não existe reaplicação periódica.
O ajuste na gestão da frota
Para o gestor, o ajuste correto é o que transforma o selante em proteção de toda a carcaça, não só da banda. Isso aparece em KPI diretos: hora parada do equipamento, hora do motorista/operador, número de reparos, socorro em campo, pneus perdidos por microfissura de talão e reformas perdidas por reparo vulcanizado. Com o ajuste de dose e nivelamento, a vedação cobre furos que antes significavam troca de pneu no meio da operação. A literatura dos fabricantes de pneus indica que um pneu corretamente calibrado poupa, em média, 8% de diesel e cerca de 6% de gasolina, e aumenta a vida útil do pneu entre 25% e 35% — e o selante é o que sustenta a calibragem por longos períodos. O custo do pneu tratado fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo, o que viabiliza o ajuste mesmo em operações severas. Em caso de dúvida sobre a dosagem da sua operação, o caminho é falar com o suporte TEX ou procurar os representantes em /contato/.
| Dosagem mínima — automóvel | (largura × perfil × aro) × 3,6 (perfil ≤ 40) ou × 3 (perfil > 40); ex.: 225/40 R17 → 550 ml |
|---|---|
| Dosagem mínima — moto | (altura″ × largura″) × 0,066; mínimo de 240 ml, sempre em polegadas |
| Ajuste de nivelamento | Definir nível de referência enchendo o pneu na vertical com água; anotar em litros e replicar a dose corrigida na frota |
| Pressão após aplicação | 15 PSI acima da pressão ideal; rodar para uniformizar; ajustar para a pressão de trabalho |
| Sulco mínimo / TWI | 5 mm para aplicar; TWI de 1,6 mm indica troca |
| Faixa térmica | -30 °C a +140 °C |