Glossário técnico · Por Jean Hebert
Aquecimento em rodagem dupla
Em resumo · Acúmulo de calor nos pneus de um eixo com rodagem dupla por subcalibragem, sobrecarga ou atrito; degrada a carcaça e eleva o risco de estouro em serviço.
Também chamado de: aquecimento de pneu duplo, calor em rodagem dupla, superaquecimento em eixo duplo, dual tire heating, temperatura em pneu duplo.
O que é aquecimento em rodagem dupla
Aquecimento em rodagem dupla é o acúmulo anormal de temperatura nos pneus montados lado a lado no mesmo eixo — configuração típica do eixo traseiro de caminhões, bitrens, carretas e ônibus. A roda dupla foi desenhada para dividir carga e dar redundância: se um pneu perde pressão, o outro segura o veículo por algum tempo. Essa redundância, porém, esconde o sintoma. Em vez de o veículo parar na primeira curva, ele segue rodando — com um pneu inteiro sobrecarregado.
No bitrem de minério de 74 toneladas, por exemplo, um furo em um dos pneus duplos joga parte daquela carga para o parceiro do mesmo eixo. O caminhão “não sente” o pneu furado, mas o parceiro passa a deformar muito além do projeto, e deformação repetida é exatamente o que gera calor. O mesmo acontece no transporte de vidros e cerâmicas: a roda dupla cobre o furo, a carga não inclina de forma visível, mas 20 toneladas distribuídas sobre três pneus em vez de quatro já produzem inclinação de 1 a 2 graus — e pneu trabalhando com geometria alterada aquece. Para o segmento rodoviário de carga, ônibus e caminhões, esse quadro é rotina, não exceção.
O termo técnico se refere a esse processo físico, não a um componente específico. Aquecer é consequência: um pneu que roda descalibrado, sobrecarregado ou com deformação excessiva transforma energia de flexão em calor na carcaça. Em rodagem dupla, a demora em perceber o problema aumenta a janela de exposição ao calor.
Por que a rodagem dupla aquece mais
Três mecanismos se combinam. Primeiro, subcalibragem: pressão baixa aumenta a deflexão do ombro e o atrito interno da borracha, e cada ciclo de rolagem aquece mais o conjunto. Segundo, transferência de carga: quando um dos pneus murcha — por furo ou porosidade —, o parceiro recebe peso extra, deforma mais e esquenta mais. Terceiro, atrito entre os dois pneus: se a lateral do murcho deforma a ponto de encostar no vizinho, o contato gera fricção adicional.
A rodagem dupla ainda esconde a causa: o motorista não sente a traseira “puxando”, como sentiria com um pneu dianteiro furado. O caminhão segue em rota, o pneu furado vai murchando devagar e o parceiro vai aquecendo. O problema aparece quando a precisão é obrigatória — como na balança fiscal: um pneu deformado muda a distribuição de peso por eixo e o veículo pode ser autuado por excesso de peso por eixo, mesmo sem excesso de carga total. Para quem opera com rota e SLA, cada parada não programada vira multa ou carga atrasada.
Como o TEX PRO PLUS contribui para o controle de temperatura
O selante não é refrigeração: ele age na causa do aquecimento. O TEX PRO PLUS veda o furo assim que ele acontece, ainda com o pneu cheio, e mantém a pressão de trabalho por longos períodos enquanto o pneu está em serviço. Com a pressão estável, a deflexão fica dentro do projeto, o parceiro não recebe carga extra e a geração de calor cai. Segundo o manual técnico, uma carcaça calibrada corretamente por longos períodos aquece menos e chega a rodar até 30 °C mais fria.
O TEX PRO PLUS é a linha indicada para este segmento, com vedação de furos de até 12 mm ou mais na banda de rodagem, conforme a estrutura e a qualidade da carcaça. É aplicação única, dura a vida útil do pneu, sem reaplicação. O gel tem pH neutro (7,0 a 8,0), não corrói o aro, é compatível com TPMS e é solúvel em água na hora da reforma — o que preserva a carcaça para futuras recauchutagens. O produto está no catálogo com as opções para o segmento rodoviário.
Não se trata de tornar o pneu indestrutível: se a estrutura já foi comprometida por rasgo, corte ou arrombamento, nenhum selante resolve. Mas, para a maioria dos furos de banda de rodagem — e para a perda lenta que descalibra a rodagem dupla —, o produto devolve ao conjunto a condição que o projeto do pneu prevê. Na aplicação, o procedimento orienta calibrar com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar e só então ajustar a pressão de trabalho. Pneu com sulco abaixo de 5 mm, careca, deformado ou com defeito mecânico deve ser trocado antes, nunca tratado.
| Capacidade de vedação | Até 12 mm ou mais, conforme a carcaça (TEX PRO PLUS) |
|---|---|
| Faixa térmica do selante | -30 °C a +140 °C |
| Redução de temperatura da carcaça | Até 30 °C mais fria com calibragem mantida |
| pH do gel | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Aplicação | Única, sem reaplicação; dura a vida útil do pneu |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm |
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