Glossário técnico · Por Jean Hebert

Composto

Em resumo · Composto é o gel ou pasta de blindagem aplicado no interior do pneu que previne e veda furos na banda de rodagem, com ação física na carcaça íntegra.

Também chamado de: gel de blindagem, pasta de blindagem, selante de pneu, composto selante, vedante.

O que é o composto e por que ele aparece com vários nomes

Composto é o termo técnico que a TEX Selantes usa para o gel ou pasta de blindagem aplicado na parte interna do pneu. Quem pesquisa antes de comprar encontra o mesmo produto chamado de selante, vedante, pasta, gel ou simplesmente “produto de pneu”. O manual da TEX reconhece essa variação: as palavras-chave mudam conforme o segmento, mas continuam falando do mesmo tipo de composto, ainda que com formulações diferentes para cada operação. Em toda linha a base é a mesma — polímeros de alta viscosidade, fibras de aramida (Kevlar), antioxidantes, grânulos sólidos de borracha e filossilicato estancador. A viscosidade varia de 600 a 11.000 cP (ensaios ASTM D2196/D445) e o produto trabalha de -30 °C a +140 °C. A ação é física, não química: o composto é deslocado para o furo, as fibras se entrelaçam e o gel forma um tampão flexível ancorado na carcaça. Se não houver estrutura, não há vedação — esse é o princípio que explica todos os limites do produto.

O que muda de um composto para outro

Cada segmento exige um composto com comportamento próprio. As motocicletas têm recomendação fechada: usar exclusivamente câmaras de ar reforçadas TEX TUBELOCK, com 4 mm de espessura e que já saem com o composto premium TEX SUPER no interior. Carros e utilitários usam linhas como TEX BLACK e ECCO TEX; caminhões e ônibus, TEX PRO PLUS; operações fora de estrada, TEX OFF ROAD; pneus com água e agro, TEX AGRO e TEX LASTRO GEL; e operações OTR e de movimentação, compostos de vedação ainda mais agressiva. Além da formulação, muda a dose: o manual orienta que quanto menor a movimentação da roda, maior a dose aplicada — por isso trator e máquinas de trabalho recebem mais produto do que um carro de passeio. A escolha certa não é “um selante genérico”, é o composto dimensionado para o tipo de pneu, sua construção, qualidade, operação e severidade. Vale conferir a linha correspondente no catálogo e a tabela de dosagem no manual.

Aplicação, equalização e cuidados de uso

A instalação também muda conforme a versão do composto. Em algumas linhas, a aplicação é feita com bomba ou bag, passando o composto pelo bico da válvula; em outras, o manual é explícito: não aplicar pelo bico. Depois de aplicar, o conjunto deve circular até o produto se uniformizar. O procedimento descrito no manual é progressivo: acelerar mantendo alguns segundos em cada novo ciclo de 10 km/h até atingir velocidade de rodovia. É normal a roda vibrar como se estivesse desbalanceada nessa fase — é o composto, ainda amontoado, se espalhando. A equalização acontece pela rotação da roda, e, com a camada uniforme, o fator de prevenção esperado é de até 10 mm na banda de rodagem, respeitados o limite da linha e a saúde da carcaça. Se um perfurante ficar no pneu e for retirado, a vedação automática ocorre com a circulação por pelo menos 3 km, desde que o furo esteja na faixa recuperável. O composto é de aplicação única, sem necessidade de reaplicação; ele permanece ativo enquanto o pneu estiver em serviço e não for desmontado, inclusive na reforma, pois é solúvel em água e não atrapalha a recapagem.

Limites que nenhum composto atravessa

O composto veda furos, não corrige danos estruturais. A cobertura da dose padrão é a banda de rodagem, onde ocorrem mais de 90% dos furos; ombro e lateral não são cobertos pela dose padrão. Pneu rasgado, cortado, arrombado ou com estrutura comprometida não é caso de selante. A aplicação deve ser feita apenas em pneu com sulco mínimo de 5 mm; em pneu careca, no TWI ou abaixo dele, a orientação é trocar, não aplicar. O composto também não corrige defeito de aro empenado, desbalanceamento, freio ou suspensão. A capacidade de vedação é sempre “até” um limite da linha e depende da dureza da borracha, do número de lonas e da qualidade do pneu — por isso a TEX não promete indestrutibilidade. Entender isso evita dois erros opostos: exigir do composto o que ele não faz e desperdiçar o que ele já resolve no dia a dia da frota. Em caso de dúvida sobre a linha certa, o manual e a equipe de atendimento são o caminho.

Especificações técnicas — Composto
O que é Gel/pasta de blindagem preventiva e reparadora para pneus com ou sem câmara
Viscosidade 600 a 11.000 cP (ASTM D2196/D445)
Faixa térmica -30 °C a +140 °C
pH 7,0 a 8,0 (neutro)
Ativos Polímeros, fibras de aramida/Kevlar, antioxidantes, grânulos de borracha, filossilicato estancador
Aplicação Única, sem reaplicação; ativa enquanto o pneu estiver em serviço
Sulco mínimo 5 mm
Câmara TEX TUBELOCK 4 mm de espessura, já com composto TEX SUPER

Perguntas frequentes — Composto

Dúvidas reais sobre o termo, respondidas pela equipe técnica TEX (alinhadas ao manual).

O que é o composto TEX e do que ele é feito?

É o gel ou pasta de blindagem instalado dentro do pneu para prevenir e vedar furos. A fórmula combina polímeros, fibras de aramida (Kevlar), antioxidantes, grânulos de borracha e filossilicato estancador, com viscosidade entre 600 e 11.000 cP. A ação é física: o material é empurrado para o furo e forma um tampão ancorado na carcaça.

Por que falam “selante”, “pasta”, “gel” e “composto” para o mesmo produto?

O próprio manual reconhece que as palavras-chave do segmento variam, embora apontem para o mesmo tipo de composto, com formulações diferentes. Isso acontece porque cada linha é ajustada para um tipo de pneu ou operação, mas a função de vedação é a mesma. Saber disso ajuda a comparar produtos sem se confundir com nomes comerciais diferentes.

Qual a diferença entre o composto para moto, carro, caminhão e máquina?

A diferença está na formulação, na viscosidade e na dose. Para moto, o manual recomenda exclusivamente câmara reforçada TEX TUBELOCK (4 mm), que já vem com o composto premium TEX SUPER; carros e utilitários usam linhas como TEX BLACK e ECCO TEX; rodoviário, TEX PRO PLUS; agro e pneus com água, TEX AGRO e TEX LASTRO GEL; OTR, florestal e militar usam compostos de vedação mais agressiva. Quanto menor a movimentação da roda, maior a dose aplicada.

O composto veda furo em pneu com câmara?

Sim, a linha atende pneus com e sem câmara, mas os melhores resultados são nos tubeless. Em motocicleta, a orientação é usar a câmara TEX TUBELOCK com o composto TEX SUPER, porque a câmara tem 4 mm de espessura e suporta melhor o serviço. Em qualquer caso, a carcaça precisa estar íntegra para haver vedação.

Como a viscosidade do composto interfere na vedação?

A viscosidade é o que segura o gel na parede interna e permite que ele seja levado até o furo sem escorrer todo para um ponto. Compostos mais viscosos são usados em operações de baixa rotação, como trator e máquinas; os mais fluidos, em veículos que rodam em velocidade. A faixa do manual é de 600 a 11.000 cP.

Todo composto TEX pode ser aplicado pelo bico da válvula?

Não. Em versões com bomba ou bag, a aplicação pode ser pelo bico; nas demais, o manual proíbe aplicar pelo bico e exige o procedimento adequado para cada embalagem. Seguir essa regra evita contaminação do miolo da válvula e garante a dose certa no interior do pneu.

Depois de aplicar, por que o volante vibra como se estivesse desbalanceado?

É o composto recém-instalado, ainda amontoado no ponto de aplicação, se distribuindo pela parede interna. O manual orienta acelerar progressivamente e manter cada novo ciclo de 10 km/h por alguns segundos até a velocidade de rodovia; a equalização ocorre pela rotação. Quando a camada fica uniforme, a vibração desaparece.

Quanto tempo o composto leva para vedar um furo depois que o perfurante sai?

Com o perfurante retirado, a vedação automática acontece com pelo menos 3 km de circulação do veículo, dentro da faixa de furos recuperáveis. O movimento faz o gel circular e empurrar as fibras para o canal do furo. Furos fora da banda ou danos estruturais não são vedados.

O composto protege contra furo no ombro e na lateral do pneu?

Não pela dose padrão. A cobertura concentra-se na banda de rodagem, onde ocorrem mais de 90% dos furos; ombro e flanco ficam fora da faixa recuperável. Rasgo, corte, arrombamento e dano de lateral não são casos de selante, mesmo com o composto de maior vedação.

O composto TEX pode ser usado em pneu com água (lastro) e em operação agrícola?

Sim. A TEX tem linhas específicas para pneus com água, como TEX AGRO e TEX LASTRO GEL, usadas em tratores e colheitadeiras. Nessas operações a dose é maior porque a movimentação da roda é menor — é o cenário clássico de “menor movimentação, maior dose”.

O composto danifica o aro, o TPMS ou compromete a recapagem?

Não. O pH é neutro (7,0 a 8,0), há anticorrosivos e proteção em camadas contra umidade e oxigênio, então aro de aço e liga leve ficam protegidos. É compatível com TPMS e a linha TEX é solúvel em água e lavável, o que permite a recapagem sem inviabilizar a carcaça.

Qual a temperatura máxima e mínima que o composto suporta?

A faixa térmica é de -30 °C a +140 °C, conforme o manual. Isso cobre desde operações em câmaras frias e regiões de geada até o calor gerado na rodagem. Uma carcaça calibrada corretamente aquece menos e potencializa a durabilidade do conjunto.

Como calcular a dose de composto para um carro de passeio?

O manual traz fórmula por medida de pneu: (largura × perfil × aro) × 3,6 quando o perfil é ≤ 40; se o perfil for > 40, multiplica por 3. Exemplo: 225/40R17 → (225 × 40 × 17) × 3,6 = 550 ml. Para moto, a fórmula é (altura″ × largura″) × 0,066, com mínimo de 240 ml — e sempre em polegadas.

Posso aplicar o composto em pneu recapado que vaza por microfissura de talão?

Em muitos casos, sim. Um dos grupos de solução do composto é a recuperação de danos: ele veda microporos e trincas de talão que não fecham na montagem, devolvendo a operação pneus que seriam descartados. Antes, é preciso confirmar que a carcaça está sadia e que o sulco é ≥ 5 mm, com o pneu dentro dos critérios de aplicação.

O composto evita estouro de pneu em operação de frota?

Ataca a causa principal: pneu rodando descalibrado ou perdendo pressão silenciosamente por furo ou porosidade. Quando o pneu é tratado desde a primeira vida útil, dentro da capacidade do composto e da qualidade do pneu, o risco de explosão pode ser eliminado; fora dessas condições, o que existe é redução de risco, não indestrutibilidade. É um argumento de disponibilidade de frota, não uma garantia absoluta.

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