Glossário técnico · Por Jean Hebert

Acessórios de borracha

Em resumo · No selante TEX, 'acessórios de borracha' são grânulos sólidos que, com fibras de aramida, vedam furos do pneu formando um tampão físico.

Também chamado de: grânulos sólidos de borracha, partículas de borracha, componentes de borracha do selante.

O que são os acessórios de borracha

Em manutenção de pneus, “acessórios de borracha” não são peças externas, como protetores de bico ou câmaras: são os grânulos sólidos de borracha que entram na composição do selante TEX. O manual técnico descreve o produto como um gel de alta viscosidade à base de polímeros, fibras de alta resistência (aramida/Kevlar), filossilicato estancador e esses grânulos. Eles não são enchimento: são parte ativa do sistema de vedação, com função mecânica de ocupar volume no canal do furo e ancorar o tampão. No conjunto, formam a blindagem interna descrita em nossa página sobre blindagem de pneu.

Diferente de colas, o selante não age por ação química. A ação é física: os polímeros são projetados para dentro do furo, criando um plug de dentro para fora, ancorado na estrutura do pneu. Os grânulos sólidos de borracha dão corpo a esse plug; sem eles, as fibras sozinhas fechariam mal canais maiores. O manual registra a composição com polímeros, fibras orgânicas e inorgânicas, antioxidantes, Kevlar, aramida e grânulos sólidos de borracha.

Embora o nome “acessórios” seja informal, o manual registra os grânulos como componentes ativos, não como aditivos. Eles aparecem junto com filossilicato estancador na lista de matérias-primas do gel de blindagem. Em uma análise de laboratório, a presença desses grânulos é um dos sinais de que o selante segue a fórmula original TEX.

Do ponto de vista técnico, a fórmula tem pH neutro entre 7,0 e 8,0, suporta de −30 °C a +140 °C e tem gravidade específica 1,08. A viscosidade, medida em cP por ensaios ASTM D2196/D445, é calibrada para manter os grânulos em suspensão — nem se depositam no fundo nem migram para o bico. Essa combinação permite aplicação única, sem reaplicação, durante toda a vida útil do pneu.

O que fazem no furo

Mais de 90% dos furos ocorrem na banda de rodagem, a região do footprint. É ali que a dose padrão posiciona o selante. Quando um objeto perfura, a pressão interna leva o gel e os acessórios de borracha até o canal: as fibras de aramida formam a trama, os grânulos preenchem o volume e os polímeros agem como ligante. A vedação é instantânea em qualquer ponto de escape de ar, desde que o pneu tenha estrutura sadia.

A dosagem não é aleatória. Para automóvel, o manual calcula (largura × perfil × aro): multiplica por 3,6 quando o perfil é ≤ 40 e por 3 quando é > 40. Um pneu 225/40 R17, por exemplo, pede 225 × 40 × 17 × 3,6 = 550 ml. Veículos de movimentação lenta, como tratores, pedem dose maior; muitos furos ou furo além do ombro também exigem correção para cima. Depois de aplicar, calibre com 15 PSI acima da pressão ideal, rode para uniformizar e ajuste à pressão de trabalho. Evite quicar o conjunto após a uniformização: o gel volta a se acumular.

Furos no ombro ou na parede lateral não são cobertos pela dose padrão. Pneu rasgado, cortado ou arrombado — quando o objeto deixa um espaço vazio, oco, na saída — não tem memória de borracha naquela posição. Sem estrutura, não há vedação; por isso a capacidade de cada linha é sempre um teto, e não uma garantia absoluta.

Talão, porosidade e reforma

Outro papel dos acessórios de borracha é a recuperação de danos: eles bloqueiam a porosidade natural da borracha, evitam infiltração e vedam trincas de talão que fazem o pneu perder ar e “não fechar” na montagem. Isso devolve à operação pneus que seriam descartados. A condição é que a fissura seja superficial e a carcaça esteja íntegra; se o talão estiver rompido ou a lona separada, não há estrutura para ancorar o plug.

Na reforma, a vantagem é dupla. O selante preserva a carcaça apta a novas recauchutagens; a vulcanização, em alguns casos, inutiliza a carcaça para a próxima reforma. Toda a linha TEX é biodegradável, lavável e solúvel em água no momento do serviço, então os grânulos saem sem agredir a carcaça nem inviabilizar a recapagem. Uma única aplicação dura até o pneu ser desmontado para a reforma. Pneus vindos de reforma frequentemente apresentam microporos que causam vazamento difuso; o bloqueio feito pelos grânulos e polímeros reduz a recorrência de recalibragem e o custo operacional de reapertar a frota a cada 10 a 15 dias.

Limites e cuidados na aplicação

Antes de aplicar, o pneu precisa estar dentro dos limites: sulco mínimo de 5 mm; no TWI (1,6 mm) ou abaixo, trocar. Não aplicar em pneu careca, defeituoso, desbalanceado, com aro empenado ou com freio, suspensão ou alinhamento com defeito. Os acessórios de borracha vedam furos e porosidades, mas não corrigem defeito mecânico nem recuperam borracha gasta.

Especificações técnicas — Acessórios de borracha
Composição ativa Polímeros + fibras de aramida/Kevlar + grânulos sólidos de borracha + filossilicato estancador
Natureza da ação Física (plug de dentro para fora); não é cola/adesivo
pH 7,0 a 8,0 (neutro, com inibidores de corrosão)
Faixa térmica −30 °C a +140 °C
Sulco mínimo para aplicação 5 mm (TWI: 1,6 mm — trocar abaixo)
Aplicação Única, sem reaplicação; dura até a desmontagem para reforma

Perguntas frequentes — Acessórios de borracha

Dúvidas reais sobre o termo, respondidas pela equipe técnica TEX (alinhadas ao manual).

Os grânulos sólidos de borracha se separam do gel em uma caminhonete que fica dias parada antes de entrar em operação?

Não. A viscosidade do selante é calibrada para manter os grânulos e as fibras em suspensão, mesmo com o veículo parado. Após a aplicação, o procedimento é calibrar com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar e ajustar a pressão de trabalho.

Em um utilitário que roda todo dia em rodovia, os grânulos desbalanceiam a roda?

Não. O selante faz balanceamento hidrodinâmico: o gel e os grânulos preenchem microdeformações na rolagem e equilibram o conjunto, de forma semelhante às esferas de balanceamento. Se já houver defeito mecânico, como aro empenado ou desgaste irregular, o selante não corrige.

Moto de entrega com pneu de câmara: o atrito dos grânulos pode furar a câmara?

O selante TEX também funciona em pneus com câmara, com a linha TEX TUBELOCK, cujo fator de vedação é de até 6 mm. Os grânulos ficam suspensos no gel e a ação é física, sem ataque químico à borracha. Em pneus tubeless, o gel adere ao composto da carcaça e não há câmara para atritar.

Pneu recapado de caminhão com porosidade na borracha nova: os grânulos bloqueiam o vazamento?

Sim. O selante bloqueia a porosidade natural da borracha e protege a carcaça contra infiltração, inclusive em pneus pós-reforma. Isso reduz o vazamento difuso e a perda de calibragem. A carcaça precisa estar íntegra e o sulco, com pelo menos 5 mm.

Prego na banda de rodagem de um caminhão de coleta: a vedação é imediata e definitiva?

A vedação é instantânea em qualquer ponto de escape de ar, desde que a estrutura do pneu não tenha sido comprometida. O tampão formado por grânulos, fibras e polímeros é permanente enquanto a carcaça estiver íntegra, sem reparo posterior. Havendo arrombamento com espaço vazio na saída, não há vedação: é caso de troca.

Trator com pneu de lastro de água: a dose de grânulos precisa ser maior?

Sim. Quanto menor a movimentação, maior a dose: tratores usam dose acima da tabela. Para pneus com água, a linha indicada é a TEX LASTRO GEL, com fator de vedação de até 12 mm ou mais. Furos acima do nivelamento padrão são corrigidos ajustando o nivelamento, não trocando de produto.

Fissura no talão de um pneu agrícola: o selante resolve?

Se for uma trinca superficial e a carcaça estiver íntegra, o selante pode vedar e devolver o pneu à operação. Se houver dano estrutural, como talão rompido ou lona separada, não há onde ancorar o plug — o pneu deve ser substituído.

SUV com sulco em 4 mm: posso aplicar o selante com grânulos de borracha?

Não. O sulco mínimo para aplicação é 5 mm; no TWI, com 1,6 mm ou menos, o pneu deve ser trocado. Os grânulos vedam furos, mas não recuperam borracha gasta nem estrutura comprometida.

Picape que trabalha em mineração: o selante corrói o aro de liga leve?

Não. A fórmula tem pH neutro entre 7,0 e 8,0, inibidores de corrosão e barreiras contra umidade e oxigênio. Isso protege aro de aço e liga leve mesmo em operações com lama, abrasivo e lavagem frequente.

Ônibus urbano: é preciso reaplicar o selante depois de alguns meses?

Não. A aplicação é única, sem reaplicação e sem validade interna; ela dura até o pneu ser desmontado para reforma. Se o pneu perder pressão depois, o problema está na carcaça e deve ser investigado, não resolvido com nova dose.

O selante com grânulos ajuda a reduzir estouros em um caminhão que roda descalibrado?

O selante reduz o índice de estouros ao atacar a causa: pneu rodando descalibrado ou perdendo pressão por furo e porosidade. Quando o pneu é tratado desde a primeira vida útil e a capacidade da carcaça é respeitada, o risco de explosão pode até ser eliminado — sempre conforme a qualidade e a estrutura do pneu.

Pneu com TPMS em um carro de frota: os grânulos podem danificar o sensor?

Não. A fórmula não usa colas nem adesivos e é segura para TPMS, rodas e recapagem. O gel circula livremente e os grânulos permanecem suspensos, sem formar depósito que trave o sensor.

Frota de vans de entrega urbana: qual KPI melhora com o uso do selante?

Os indicadores mais afetados são hora parada do veículo, hora parada do motorista, custo por reparo, chamados de resgate e SLA de rota. Cada furo vedado na banda de rodagem evita uma parada em campo, e o custo do pneu tratado fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo.

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