Glossário técnico · Por Jean Hebert

Adjacência de banda de rodagem

Em resumo · Região entre a banda de rodagem e o flanco do pneu; furos aí ficam fora da dose padrão, exigindo dose acima da tabela.

Também chamado de: ombro do pneu, região de transição da banda de rodagem, adjacência do piso.

O que é a adjacência da banda de rodagem

A adjacência da banda de rodagem é a região de transição entre a área central do piso — o footprint, que fica em contato com o solo — e o flanco, a lateral do pneu. No jargão de pneus, ela corresponde ao ombro: o ponto em que o raio da banda começa a curvar, a borracha perde espessura e a estrutura começa a mudar de geometria. É uma região crítica para quem opera qualquer veículo: ali o pneu ainda é mais robusto que o flanco, mas já não tem a mesma massa de borracha do centro, e recebe solicitações diferentes quando o veículo faz curva, entra em buraco, passa por lombada ou carrega peso.

Entender essa adjacência é o que separa, na prática, o furo que a dose padrão resolve imediatamente do furo que exige dose acima da tabela — ou que nem deveria ser tratado com selante, como rasgos, cortes e arrombamento de lonas. O manual TEX trata a banda de rodagem como a área mais robusta do pneu e posiciona o ombro como uma região de atenção: furos no ombro e nas paredes laterais não são cobertos pela dose padrão. Em uma operação de frota, confundir essas regiões significa subdosar um reparo e devolver à rota um pneu com risco de vazamento.

Como reconhecer a adjacência e calcular a dose

Reconhecer a adjacência na prática é simples: com uma trena sobre a banda, observe o ponto em que a superfície de rodagem começa a arredondar, antes de descer para a lateral. Nesse trecho o sulco ainda existe, mas a parede do pneu já inclina. Essa é a faixa do ombro. Para medir se o pneu ainda pode receber aplicação, use o sulco mínimo: 5 mm. No TWI, com 1,6 mm, o pneu deve ser trocado — selante não recupera banda careca nem pneu com defeito de carcaça.

A capacidade de vedação é sempre um teto, nunca uma promessa fechada: depende da qualidade e da estrutura do pneu. Para veículos leves, a TEX BLACK veda furos de até 8 mm na banda de rodagem; para utilitários, a TEX MAXXI chega a até 9 mm; para rodoviário e ônibus, a TEX PRO PLUS veda até 12 mm ou mais; para OTR e máquinas de movimentação, a TEX OTR alcança até 50 mm ou mais. Esses limites valem para a região mais robusta do pneu. Na adjacência, a espessura da borracha é menor, então o fator de vedação real depende daquela área específica — e a dose precisa ser corrigida.

A dosagem padrão para automóvel é calculável: multiplique largura × perfil × aro por 3,6 quando o perfil é ≤ 40, e por 3 quando o perfil é > 40. Para moto, a fórmula usa polegadas — altura × largura × 0,066, com mínimo de 240 ml. Quando o furo está no ombro ou além dele, ou quando há muitos furos, o manual manda aplicar dose acima da tabela. O gel de alta viscosidade, com fibras de aramida e polímeros, precisa de volume suficiente para entrar no furo e formar o plug físico de dentro para fora; sem esse volume, a cobertura na adjacência fica comprometida.

Ajuste fino, aplicação e preservação da carcaça

Para frotas com incidência recorrente de furos na adjacência, o manual traz o ajuste de nivelamento: enche-se um pneu na vertical com água até o nível de referência, anota-se o volume em litros e replica-se a dose corrigida nos demais veículos. O caso documentado em fazenda de dendê mostra que espinhos perfuraram acima do nivelamento padrão; a solução foi ajustar o nivelamento, não trocar de produto. Ou seja: antes de aumentar a dose da frota inteira, meça o nível real de selante dentro do pneu.

Na aplicação, o procedimento correto é calibrar com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar o gel e, então, ajustar para a pressão de trabalho. Nunca quique o conjunto roda-pneu no chão após a uniformização: o gel volta a se acumular. O pH neutro (7,0 a 8,0) protege o aro, e a faixa térmica de -30 °C a +140 °C cobre operações severas. O selante também dissipa calor: por ser condutor térmico, ajuda a transferir o calor da banda para as laterais e a roda — testes do fabricante mostram redução de temperatura na banda de rodagem em mais de 13,9 °C, e uma carcaça calibrada por longos períodos chega a rodar até 30 °C mais fria. Manter a pressão estável reduz a flexão no ombro, exatamente o que protege essa transição.

Especificações técnicas — Adjacência de banda de rodagem
Região coberta pela dose padrão Banda de rodagem (footprint); ombro e flanco exigem dose acima da tabela
Capacidade de vedação – veículos leves (TEX BLACK) Até 8 mm, conforme estrutura da carcaça
Capacidade de vedação – rodoviário/ônibus (TEX PRO PLUS) Até 12 mm ou mais, conforme estrutura da carcaça
Sulco mínimo para aplicação 5 mm (TWI: 1,6 mm)
pH 7,0 a 8,0 (neutro)
Faixa térmica de uso -30 °C a +140 °C

Perguntas frequentes — Adjacência de banda de rodagem

Dúvidas reais sobre o termo, respondidas pela equipe técnica TEX (alinhadas ao manual).

O que é a adjacência da banda de rodagem e em que ela interfere no pneu em serviço?

É a faixa de transição entre o centro da banda e o flanco, conhecida como ombro. Nela o pneu perde espessura e muda de raio, então furos nesse trecho não são cobertos pela dose padrão de selante. Reconhecer a região evita aplicar a dosagem errada e aumenta a chance de reparo definitivo.

Como reconhecer a adjacência na hora de medir o pneu?

Olhe o ponto onde a superfície de rodagem começa a arredondar antes de descer para a lateral. Nesse local o sulco ainda aparece, mas o conjunto roda-pneu já muda de inclinação. Use uma trena para identificar a transição do piso para o ombro, principalmente antes de calcular a dose.

A dose padrão de selante veda furos na adjacência da banda?

Não. A dose padrão é dimensionada para a banda de rodagem, o footprint onde ocorrem mais de 90% dos furos. Furos no ombro e nas paredes laterais ficam fora da cobertura padrão e exigem dose acima da tabela.

Quando se deve pedir dose acima da tabela para furo na adjacência?

Quando a perfuração está no ombro ou além dele, e também quando há muitos furos no mesmo pneu. O manual TEX orienta aumentar a dose nesses casos para dar volume de gel suficiente ao plug. Ajustar a dose é diferente de aplicar em pneu rasgado ou com lona arrombada, que não é caso de selante.

Qual linha usar em furo na adjacência de um utilitário?

Para utilitários, a TEX MAXXI tem fator de vedação de até 9 mm, sempre dependendo da estrutura do pneu. Na adjacência, como a espessura é menor, o critério "até" pesa mais e vale reforçar a dose. Veja no catálogo a linha correspondente ao veículo.

Furo no flanco é coberto pelo selante em algum caso?

O flanco não é coberto pela dose padrão; o selante é formulado para a banda de rodagem, a região mais robusta. Furos na lateral, em geral, indicam dano estrutural ou impacto, e o pneu deve ser avaliado por um profissional antes de qualquer decisão. Sem estrutura íntegra, não há vedação possível.

Como o selante age num furo na adjacência?

O gel de alta viscosidade se distribui na parede interna; no furo, as partículas e as fibras de aramida são projetadas para dentro da perfuração e formam um plug físico de dentro para fora. Quando a carcaça é sadia, o tampão é flexível e permanente, mas depende da espessura e da qualidade da borracha local.

Qual é a diferença entre banda central e adjacência para a escolha da dose?

A banda central é mais espessa, recebe o maior volume de carga estática e concentra a maior parte dos furos. A adjacência é mais fina, trabalha em flexão constante em curvas e impactos, e exige dosagem diferente. Por isso a regra é: dose padrão no miolo; dose acima da tabela no ombro.

Pneu recapado com microporosidade na adjacência pode ser recuperado com selante?

O selante veda microfuros e microporos, inclusive os que aparecem após a reforma, e bloqueia a porosidade natural da borracha. Nessa região, o reparo ajuda a evitar infiltração na carcaça. Se houver trinca de talão ou fissura na estrutura, o caso sai do escopo do selante.

Por que a calibragem importa tanto na adjacência da banda?

Pneu descalibrado deforma mais no ombro, aumentando o atrito e a temperatura nessa transição. A literatura dos fabricantes de pneus aponta que a calibragem correta poupa, em média, 8% de diesel e cerca de 6% de gasolina, além de aumentar a vida útil do pneu entre 25% e 35%. Com o selante, a pressão se mantém por semanas, evitando a recalibragem constante.

O que não fazer depois de aplicar o selante em um pneu com furo na adjacência?

Não quicar o conjunto roda-pneu no chão após a uniformização, porque o gel volta a se acumular. Também não aplicar sobre pneu careca, com sulco abaixo de 5 mm, desbalanceado ou com defeito de suspensão. O selante não substitui a manutenção correta.

A aplicação na adjacência interfere na reforma do pneu?

Não. Toda a linha TEX é biodegradável, lavável e solúvel em água, e sai na lavagem da carcaça no momento da recapagem. Diferentemente de reparos vulcanizados que podem inutilizar a carcaça, o selante preserva a estrutura para futuras reformas.

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