Glossário técnico · Por Jean Hebert
Conserto
Em resumo · Conserto de pneu é a correção de vazamento por furo ou microporosidade; com selante interno, o reparo é imediato e definitivo se a carcaça estiver íntegra.
Também chamado de: conserto de pneu, reparo de pneu, serviço de borracheiro, remendo de pneu, conserto de borracharia.
O que é conserto de pneu, na prática
O conserto de pneu é a correção de um vazamento de ar provocado por furo, trinca ou microporosidade da borracha. No método clássico, o pneu é desmontado, a área interna é lixada e recebe remendo com ou sem vulcanização. É um serviço conhecido e eficaz — mas é, por definição, reativo: só acontece depois do dano. E depende de estrutura. Um furo na banda de rodagem, com carcaça íntegra, é reparável; um rasgo, um corte profundo ou uma ruptura estrutural não é caso de selante nem de remendo. Por isso, a primeira regra do conserto é separar o que é furo do que é dano estrutural.
Aí entra a diferença de modelo. O selante TEX não compete com o borracheiro no reparo de carcaça danificada; ele age antes, para que a maioria dos furos nem chegue ao borracheiro. Mais de 90% dos furos acontecem na banda de rodagem, na área de contato com o solo. Essa é exatamente a região coberta pela dose padrão de selante. Ombro e paredes laterais ficam fora do nivelamento normal — e pneu careca ou com sulco abaixo de 5 mm não deve receber aplicação; na barra TWI, a 1,6 mm, o pneu já está no limite de troca. A blindagem de pneu explica o mecanismo completo.
O custo real de um conserto
O valor pago ao borracheiro é a menor parte da conta. O custo de um furo em operação é composto pela hora parada do veículo, hora parada do motorista ou operador, deslocamento de socorro, ordem de serviço, relatório e rota não cumprida. É o motoboy com a bag cheia vendo a comida esfriar; é o leiturista que para no ponto 20 com mais 60 pontos pela frente; é a viatura encostada esperando o processo correr. Cada parada evitada é uma rota que não estoura o SLA.
O selante muda a equação porque trata a causa: o pneu que perde pressão por furo ou por porosidade natural da borracha. Com o gel de alta viscosidade distribuído na parede interna, o escape de ar é vedado de dentro para fora, por ação física — partículas sólidas e fibras de aramida formam um tampão flexível, ancorado na própria carcaça. A aplicação é única, dura toda a vida útil do pneu, sem reaplicação e sem validade interna. Sem cola, sem adesivo, pH neutro, compatível com TPMS e com a recapagem. O custo do tratamento fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo — e o que ele evita é justamente o ciclo repetido de conserto, recalibragem e perda de produtividade. Pneu tratado e calibrado mantém a pressão por semanas ou meses; segundo a literatura dos fabricantes de pneus, a calibragem correta poupa em média 8% de diesel, cerca de 6% de gasolina e aumenta a vida útil da carcaça entre 25% e 35%.
Conserto em caminhões: a conta que mais pesa em uma frota
No caminhão, o custo unitário do conserto é maior, mas o que pesa mesmo é a parada do veículo em rota. Um pneu furado no eixo de carga derruba a programação, atrasa a entrega, desloca um pneumático ou um guincho e, em muitos casos, destrói outros pneus do conjunto que seguem rodando descalibrados até ser notado. O selante TEX economiza no reparo e no tempo de inatividade, como reconhece o próprio manual técnico.
Além de vedar o furo, o selante preserva a carcaça para a reforma. Reparo com selante mantém o pneu apto à recapagem; a vulcanização clássica, em alguns casos, inutiliza a carcaça para a próxima reforma. No uso rodoviário, a linha TEX PRO PLUS veda furos de até 12 mm ou mais — sempre dentro da condição de carcaça íntegra. Para pneus com câmara, o TEX TUBELOCK tem fator de vedação de até 6 mm; em motos tubeless, o TEX PRO veda até 7 mm. Todos têm pH entre 7,0 e 8,0, faixa térmica de -30 °C a +140 °C e não agridem o aro.
Quando o conserto deixa de ser rotina
A regra prática é essa: furo na banda de rodagem, carcaça sem dano e sulco com mais de 5 mm — o selante veda na hora, de forma imediata e definitiva. Não havendo estrutura, não há vedação. Por isso, a troca do pneu careca, do pneu rasgado ou do aro empenado continua sendo conserto — ou substituição — necessária. E pneus com defeito de freio, suspensão ou alinhamento não devem ser tratados com selante; o problema de desgaste irregular é mecânico, não é vedação.
| Fator de vedação (moto tubeless) | TEX PRO até 7 mm — carcaça íntegra |
|---|---|
| Fator de vedação (câmara de ar) | TEX TUBELOCK até 6 mm |
| Fator de vedação (rodoviário) | TEX PRO PLUS até 12 mm ou mais |
| pH | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Faixa térmica | -30 °C a +140 °C |
| Aplicação | Única, sem reaplicação e sem validade interna |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm; trocar no TWI (1,6 mm) |