Glossário técnico · Por Jean Hebert
Corte no ombro do pneu
Em resumo · Corte no ombro é um dano na transição entre banda e flanco, causado por impacto com pedra; compromete a carcaça e exige avaliação antes de vedar.
Também chamado de: corte de ombro, ombro cortado, dano no ombro do pneu, laceração no ombro, rasgo no ombro.
O que é o corte no ombro e por que ele não é um furo
O ombro do pneu é a região de transição entre a banda de rodagem e o flanco — exatamente a zona que mais deforma quando o pneu rola carregado. Diferentemente de uma perfuração, que é um furo redondo aberto por prego, parafuso ou fragmento de rocha, o corte é uma laceração: o objeto de quina viva abre a borracha em um rasgo que pode atingir as lonas da carcaça. No segmento OTR isso acontece com frequência em pátios de pedreira com calcário partido, em rampas de carregamento de minério, em demolições com vergalhão de concreto e até no sal cristalizado do Atacama. Um corte no ombro não é um caso de selante. O manual técnico TEX é explícito: pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante — sem estrutura não há vedação. A confusão entre corte e furo é a causa de muitos pneus perdidos: o operador vê um vazamento no ombro e espera que o selante resolva; quando o rasgo abre, a troca é emergencial e a produção já parou.
Por que o ombro é crítico em operações OTR
Nas operações de mineração e terraplenagem, o ombro trabalha sob carga extrema e flexão constante. Uma pá carregadeira Cat 994K com ciclo de 90 segundos por caçambada e pneus de 3,5 metros de altura precisa completar cerca de 240 caçambadas de 35 toneladas por turno; se um corte no ombro derrubar o pneu, são 8.400 toneladas de minério que deixam de ser carregadas — meta de produção comprometida. Uma motoniveladora com o ombro avariado degrada a estrada de acesso, e a frota de caminhões fora-de-estrada que passa por ela começa a furar na superfície deteriorada. Em mina subterrânea, um LHD com o ombro danificado pode bloquear a galeria, evacuar a equipe e zerar a produção. O corte também é porta de entrada para umidade e poeira, transformando um dano localizado em perda total de carcaça. Quem decide por máquinas OTR de movimentação precisa tratar o ombro como área de monitoramento contínuo.
O que o TEX OTR faz — e o que ele não faz
O TEX OTR é um selante preventivo e reparador de furos, com capacidade de vedação de até 50 mm ou mais, conforme a estrutura do pneu. A ação é física: fibras de aramida e polímeros formam um tampão de dentro para fora no ponto de escape de ar. Isso vale para perfurações na banda de rodagem — mais de 90% dos casos. Para o ombro, o manual orienta doses acima da tabela quando há furos além do ombro, mas corte com perda de estrutura não é reparável por selante. Em vez de prometer o que a física não permite, o TEX OTR atua antes: mantém a calibragem por semanas e meses, reduz o aquecimento da carcaça — que pode rodar até 30 °C mais fria — e preserva a carcaça para a reforma. O pneu calibrado deforma menos no ombro e absorve impacto com menos risco de abrir um corte. É isso que a blindagem de pneu entrega na prática: proteção contínua contra a causa do dano. A diferença entre o TEX OTR e os selantes antigos também aparece aqui: os produtos das décadas de 1980–1990 solidificavam, criavam flat-spots e não se distribuíam; o TEX OTR foi formulado para vibração contínua e alta temperatura, exatamente o ambiente do ombro em ciclo curto.
Como proceder na operação
Ao identificar um corte no ombro, a primeira decisão é estrutural. Se houver lonas expostas, separação de camadas ou deformação no ombro, o pneu deve ser removido e avaliado por um técnico de reforma — não se aplica selante nem se roda com carga. Se o corte for superficial, atingindo apenas a borracha, pode-se monitorar o avanço, e o selante preventivo segue protegendo o restante do pneu. Para evitar o cenário, a aplicação deve ser feita no pneu novo ou remontado, respeitando o sulco mínimo de 5 mm, com calibragem de 15 PSI acima da pressão ideal para uniformizar o gel e ajuste posterior à pressão de trabalho. No checklist diário, incluir a inspeção visual do ombro: pequenos sulcos, marcas de impacto e microtrincas devem ser anotados e medidos. O reparo do selante é definitivo nos casos em que a estrutura não foi comprometida; no corte no ombro, a estrutura é exatamente a questão. Em qualquer dúvida, acione o suporte técnico pelo contato.
| Capacidade de vedação (TEX OTR) | até 50 mm ou mais, conforme a carcaça |
|---|---|
| Tipo de dano coberto | furos na banda de rodagem; cortes no ombro com perda de estrutura não são vedáveis |
| pH do selante | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Faixa térmica de operação | -30 °C a +140 °C |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm |
| Aplicação | única, sem reaplicação |
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