Glossário técnico · Por Jean Hebert
Impacto em rocha solta
Em resumo · Impacto em rocha solta é o choque do pneu OTR contra fragmentos angulosos de rocha não consolidada.
Também chamado de: Impacto com fragmento de rocha, Perfuração por rocha solta, Choque contra rocha em mina, Furo por rocha em pedreira.
O que é impacto em rocha solta
Impacto em rocha solta é o fenômeno que mais reprova pneus fora-de-estrada: o piso do pátio de pedreira e da face de rocha é coberto por fragmentos não consolidados — calcário partido, quartzito de ângulo agudo e minério solto —, e cada metro quadrado vira um perfurante potencial. Diferente de um prego em rodovia, a rocha solta ataca em ciclos repetidos de impacto: o pneu de uma pá carregadeira de grande porte ou de um caminhão caçamba de minério recebe centenas de choques por turno, e qualquer fragmento apoiado no solo em ângulo desfavorável pode entrar na banda de rodagem.
A consequência operacional é imediata. Um caminhão caçamba com 30 toneladas de minério na caçamba que fura no eixo traseiro dentro do pátio para a rota até o britador. Numa mina, quando a máquina que carrega os caminhões para por pneu furado, a produção inteira para junto — não há como alimentar a frota. O custo de um macaco hidráulico de 100 toneladas e a logística para trocar esse pneu em campo tornam qualquer furo um evento de horas, não de minutos. O manual técnico da TEX trata o impacto em rocha solta como um dos casos centrais de aplicação preventiva, junto com operações de escarificação e dragagem.
Como o TEX OTR age nesse cenário
O TEX OTR é um selante preventivo de alta viscosidade, aplicado quando o pneu é novo ou remontado, que fica na parede interna durante toda a vida útil. No momento em que o fragmento de rocha perfura a banda, partículas sólidas e fibras de aramida são arrastadas pelo fluxo de ar para o ponto de escape, e o gel age como ligante, formando um tampão flexível de dentro para fora. A ação é física, não química: o plug fica ancorado na estrutura do pneu, por isso a capacidade de vedação é de até 50 mm ou mais, conforme a carcaça. Pneus com boa estrutura — dureza Shore da borracha, número de lonas e qualidade da carcaça — suportam furos maiores; sem estrutura íntegra, não há vedação. Por isso o pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante.
A vibração contínua do impacto, que parece um adversário, é na verdade um aliado. Polímeros de comportamento tixotrópico fluidificam com o impacto e se distribuem melhor pela parede interna; quanto mais vibração, mais ativação. O choque provoca aumento momentâneo da pressão interna, o que empurra o composto para dentro do furo com mais eficiência. Testes de campo em escavadeiras e retroescavadeiras em regime de impacto contínuo mostram que o selante mantém a efetividade durante ciclos de 4 a 6 horas de escavação. Em um wheel dozer escarificando quartzito de ângulo de 60 a 80 graus — o perfurante mais eficiente que existe para um pneu OTR — o furo vedou e a máquina terminou a escarificação, em uma operação que sem o selante registrava um furo por semana nesse material.
Outro ponto que diferencia o preventivo do emergencial: enquanto o produto emergencial é aplicado depois do furo e depende do operador perceber o evento, o TEX OTR já está lá, cobrindo 100% da parede interna. O caminhão caçamba que entra no pátio de pedreira sem o selante tem probabilidade diária de furo; com o selante, o calcário perfurou, o composto vedou e a caçamba chegou ao britador. A mesma lógica vale para o LHD de mineração subterrânea, que carrega 25 toneladas em galeria estreita: se o pneu traseiro fura no pior momento, o selante garante que a pressão se mantenha durante o retorno ao ponto de desembarque, evitando o deslocamento lateral da carga e o risco de queda em galeria adjacente.
O que o impacto em rocha solta significa para a operação
O pneu de máquina OTR roda em solo aquecido, pátio de escória e rampa com poeira de minério abrasiva — contextos em que qualquer microfuro pode virar ruptura em minutos. O selante também age na otimização da calibragem: sem selante, a pressão ideal dura de 10 a 15 dias; com selante, o pneu permanece calibrado por semanas ou meses, enquanto não for desmontado. Carcaça calibrada por longos períodos aquece menos, chegando a rodar até 30 °C mais fria, o que preserva o pneu para reformas e reduz o consumo de combustível — segundo a literatura dos fabricantes de pneus, um pneu corretamente calibrado poupa em média 8% de diesel e aumenta a vida útil entre 25% e 35%. O custo do tratamento fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo, e cada parada evitada é uma rota que não estoura o SLA.
| Capacidade de vedação | Até 50 mm ou mais, conforme a carcaça |
|---|---|
| Mecanismo de ação | Físico: plug de fibras de aramida + polímeros ancorado de dentro para fora |
| pH | 7,0 a 8,0 (neutro, não corrói o aro) |
| Faixa térmica | -30 °C a +140 °C |
| Tipo de aplicação | Única, preventiva, até o pneu ser desmontado para reforma |
| Normas de ensaio | ASTM F2370, ASTM D4827, ASTM D2240, ASTM D2196/D445 |
Aplicação em otr? Fale com a fábrica para dimensionar o produto TEX certo.
Ver otr →