Glossário técnico · Por Jean Hebert
Classificação de velocidade
Em resumo · Código que limita a velocidade máxima do pneu; ignorá-lo aquece e rompe a carcaça. Selante não altera o código: veda antes o furo que causaria a perda de pressão.
Também chamado de: índice de velocidade, símbolo de velocidade, classe de velocidade, código de velocidade.
O que a classificação de velocidade define no pneu em serviço
A classificação de velocidade — também chamada de símbolo ou índice de velocidade — é a letra gravada no flanco do pneu, logo após o índice de carga (ex.: 91V). Ela indica a velocidade máxima em que o pneu suporta rodar com carga plena: Q (160 km/h), S (180), T (190), H (210), V (240), ZR (acima de 240), W (270), Y (300). Ignorá-la em serviço leva a superaquecimento da carcaça, degradação da borracha, separação de banda e estouro — não é recomendação de via, é limite estrutural homologado pelo fabricante do pneu.
É diferente do índice de carga (o número que antecede a letra, que define o peso máximo) e da velocidade de vedação do selante (que é a rapidez com que o gel fecha um furo, função da rotação do pneu, não um limite de segurança). Na prática, o limite de velocidade da via raramente é o problema: o que derruba um pneu em alta velocidade é a combinação de excesso de carga, baixa calibragem e piso quente. Um pneu descalibrado roda mais quente — o manual TEX lembra que a carcaça calibrada corretamente por longos períodos chega a rodar até 30 °C mais fria — e é esse calor que aproxima o pneu do limite da sua classificação.
Como o selante se relaciona com a classificação de velocidade
O selante TEX não altera a classificação de velocidade. Ele é um gel de alta viscosidade, à base de água, pH neutro (7,0–8,0), sem colas nem adesivos; sua ação é física — as fibras de aramida formam um plug de dentro para fora no furo, ancorado na estrutura do pneu. A classificação, portanto, continua a mesma gravada no flanco. O que o selante muda é o cenário de risco: em alta velocidade, o perigo não é o furo em si, é o que ele provoca — perda súbita de pressão, puxar de direção e estouro. E mais de 90% dos furos acontecem na banda de rodagem, exatamente a região onde o selante atua.
O mecanismo de vedação depende da rotação: o manual orienta circular por pelo menos 3 km para vedação completa, porque o giro do pneu distribui o gel sobre o furo. Em alta velocidade, a rotação é alta e a vedação tende a ser rápida — é isso que muda a estatística nas operações do corpus: no rally, furo na banda de rodagem deixa de ser perda de minutos preciosos e abandono (DNF); no caminhão-tanque carregado, o furo na rodovia deixa de virar protocolo de emergência com carga perigosa. O selante veda antes da parada ser necessária.
A temperatura não limita a atuação do produto: a faixa térmica do selante TEX vai de -30 °C a +140 °C, e os componentes atuam como dissipadores de calor, fazendo o pneu rodar mais frio. Mas atenção ao guarda-corpo: nada disso amplia o limite de velocidade do pneu. Pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante; sem estrutura, não há vedação. O selante preserva a carcaça para operar dentro da sua classificação, não a reclassifica para cima.
Aplicação, leitura da classificação e decisão de frota
Na prática, o que decide a dose não é a letra da classificação, é a geometria do pneu e a movimentação. O manual mostra a conta para automóvel: (largura × perfil × aro) × 3,6 para perfil ≤ 40, ou × 3 para perfil > 40. Trator, que roda lento, exige dose maior porque a baixa rotação reduz a velocidade de vedação — não porque a classificação dele seja A/B. Para a frota, a leitura correta da classificação de velocidade evita especificar pneu subdimensionado para a operação. Conheça as linhas no /catalogo/.
A aplicação é única: o selante dura toda a vida útil do pneu, e o serviço exige sulco mínimo de 5 mm (nunca aplicar no TWI), calibrar 15 PSI acima da pressão ideal após aplicar, rodar para uniformizar e ajustar. O passo a passo completo está no /manual/. Em caso de furo em alta velocidade, não pare bruscamente no meio da pista: reduza, deixe o selante agir em movimento, complete a vedação circulando e ajuste a calibragem com um mini compressor. O produto não torna o pneu indestrutível, mas elimina a maior causa de estouro em velocidade — o furo não percebido que vira perda de pressão.
| Símbolos de velocidade (referência de mercado) | Q=160 · S=180 · T=190 · H=210 · V=240 · ZR>240 · W=270 · Y=300 km/h |
|---|---|
| Onde ler no pneu | Letra no flanco, após o índice de carga (ex.: 91V) |
| Faixa térmica do selante TEX | -30 °C a +140 °C |
| Capacidade de vedação (veículos leves) | TEX BLACK até 8 mm · ECCO TEX até 10 mm · ECCO TEX PREMIUM até 12 mm |
| pH do selante | 7,0–8,0 (neutro) |
| Vedação completa | Circular por pelo menos 3 km após o furo |