Glossário técnico · Por Jean Hebert
Desempenho
Em resumo · Desempenho do selante TEX: capacidade de vedar furos e sustentar a calibragem do pneu por longos períodos, preservando carcaça, aro e segurança em serviço.
Também chamado de: desempenho do selante, performance do selante, rendimento do selante, desempenho do pneu.
O que é desempenho no selante TEX
No contexto da blindagem de pneu, desempenho é muito mais do que vedar um furo. É a entrega combinada de vedação, manutenção de calibragem, redução de temperatura e preservação da carcaça ao longo de toda a vida útil do pneu. O manual TEX define o sistema como uma mudança definitiva no conceito de utilização dos pneus, aumentando desempenho, resistência, durabilidade, segurança e economia de tempo e dinheiro. O selante é um gel de alta viscosidade com fibras de aramida e polímeros, aplicado na parede interna do pneu. No furo, formam um tampão flexível e permanente — desde que a estrutura do pneu esteja sadia. Ele se integra sem alterar as características físico-químicas do pneu, mantendo as garantias do fabricante e melhorando o desempenho mecânico do veículo. Conheça o catálogo.
Fatores que governam o desempenho
O manual dedica uma seção inteira à importância de entender os fatores que influenciam o desempenho do selante. O primeiro é a carcaça: a ação é física, não química. Os polímeros são projetados para dentro do furo e formam um plug ancorado na estrutura. Por isso, quanto melhor a estrutura — dureza Shore, número de lonas, qualidade do pneu —, maior a vedação. Não havendo estrutura, não há vedação: pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante. É por isso que a capacidade é sempre um teto (“até X mm”), nunca um número fixo.
O segundo fator é a condição do pneu. O desempenho máximo exige sulco mínimo de 5 mm e o respeito ao TWI, as barras de 1,6 mm. No TWI ou abaixo, o pneu deve ser trocado, não tratado. Pneu careca, desbalanceado, com aro empenado, freio ou suspensão com defeito, ou desalinhado, não recebe o produto. O terceiro fator é a composição química. O pH neutro entre 7,0 e 8,0 garante segurança e desempenho ideal. O manual relata que análises internas encontraram pH acima de 9,0 em selantes concorrentes — nível inadequado para o conjunto roda/pneu. A faixa térmica de -30 °C a +140 °C cobre do frio extremo ao calor gerado por frenagem prolongada.
Como garantir o desempenho na aplicação
O desempenho é sensível à aplicação. O manual é direto: “A aplicação fora das normas apresentadas neste manual pode comprometer o resultado final e o desempenho do produto.” O aplicador é o representante mais importante da tecnologia junto ao cliente. A dosagem deve ser calculada, não chutada. Para automóvel: (largura × perfil × aro) × 3,6 quando o perfil é ≤ 40, ou × 3 quando o perfil é > 40. Para moto: (altura″ × largura″) × 0,066, mínimo 240 ml — sempre em polegadas. Menor movimentação exige maior dose: trator usa dose acima da tabela. Muitos furos ou furo além do ombro também pedem dose adicional.
O procedimento completo está no manual técnico: aplicar, calibrar com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar e ajustar para a pressão de trabalho. Nunca quicar o conjunto roda-pneu — o gel volta a se acumular. Em frotas com furo fora do padrão, o ajuste de nivelamento resolve: enche-se um pneu na vertical com água até o nível de referência, anota-se o volume em litros e replica-se a dose corrigida na frota. E, para desempenho total, o produto deve ser aplicado em todos os pneus do veículo, máquina ou equipamento — um pneu descalibrado sobrecarrega os demais.
Desempenho além do furo
O desempenho do selante vai além da vedação. Uma carcaça calibrada por longos períodos aquece menos — chega a rodar até 30 °C mais fria. Segundo a literatura dos fabricantes de pneus, um pneu corretamente calibrado poupa, em média, 8% de diesel e 6% de gasolina, e aumenta a vida útil entre 25% e 35%. O selante também recupera danos: veda microfuros, microporos, porosidade natural e trincas de talão, devolvendo à operação pneus que seriam descartados. Diferente da vulcanização, que em alguns casos inutiliza a carcaça para a próxima reforma, o selante preserva a carcaça apta à reforma — aumentando o número de recauchutagens. É por isso que o custo do pneu tratado fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo: o desempenho se traduz em mais vidas úteis. A aplicação é única, sem reaplicação, e dura até o pneu ser desmontado para a reforma. Toda a linha é biodegradável e solúvel em água, o que não agride a carcaça nem inviabiliza a recapagem.
| pH | 7,0 a 8,0 (neutro) |
|---|---|
| Faixa térmica | -30 °C a +140 °C |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm |
| TWI (limite de desgaste) | 1,6 mm |
| Gravidade específica | 1,08 |
| Calibragem pós-aplicação | 15 PSI acima da pressão ideal |