Glossário técnico · Por Jean Hebert
Dureza Shore
Em resumo · Dureza Shore é a medida da rigidez da borracha do pneu; em selantes tubeless, uma carcaça mais firme oferece melhor ancoragem e maior vedação de furos.
Também chamado de: Shore A, Shore D, dureza de borracha, durometer hardness.
O que é dureza Shore e por que ela importa no pneu
Dureza Shore é a medida padrão da rigidez de elastômeros e borrachas, obtida com um durômetro que pressiona uma ponteira contra a superfície do material. A escala mais comum para pneus é a Shore A, usada em borrachas flexíveis; a Shore D é para materiais mais rígidos e para avaliar aditivos na formulação. No pneu, a dureza Shore reflete a resistência da borracha à penetração e está diretamente ligada à integridade da carcaça — ou, como define o manual da TEX, à “resistência do meio”: características de construção do pneu, incluindo tipos e dureza da borracha, lonas e malha de aço. O ensaio é normalizado pela ASTM D2240 e é o mesmo método que a TEX utiliza para avaliar os componentes das suas formulações, como as fibras de aramida e Kevlar, e para garantir compatibilidade com os compostos dos pneus.
Para o operador, esse número não é apenas especificação de laboratório: ele ajuda a entender por que um pneu novo ou de boa qualidade responde melhor à vedação de furos do que uma carcaça cansada. Quanto mais firme e íntegra a borracha, mais o plug físico formado pelo selante encontra sustentação para se ancorar. É por isso que pneus de marcas diferentes, na mesma medida, podem ter comportamentos diferentes com o mesmo selante: a dureza Shore da banda e da carcaça faz parte da equação.
A física da vedação: dureza, estrutura e o limite do “até”
O selante TEX não age por química — não é cola, não reage com a borracha. No furo, os polímeros e as fibras de aramida são projetados para dentro da perfuração e formam um tampão físico, de dentro para fora, ancorado na estrutura do pneu. Essa âncora só existe se a estrutura ao redor for capaz de sustentá-la. É por isso que a capacidade de vedação é sempre expressa como “até X mm”: não é ressalva comercial, é o mecanismo. O manual é explícito: quanto melhor a estrutura física — dureza Shore, quantidade de lonas, qualidade do pneu — maior o fator de vedação. Não havendo estrutura, não haverá vedação. O alcance prático depende da linha e da carcaça: veículos leves vedam furos de até 8 mm, utilitários até 9 mm, e as linhas agro e rodoviárias chegam a 12 mm ou mais — sempre condicionado à estrutura. Por isso, o número Shore é um termômetro da condição da carcaça.
Na prática, isso significa que um pneu careca, com talão danificado ou com borracha degradada não é caso para selante. O próprio manual orienta não aplicar em pneus no TWI (1,6 mm) ou abaixo, nem em pneus com qualquer defeito estrutural. O sulco mínimo para a aplicação preventiva é de 5 mm, porque é a partir daí que a carcaça ainda tem profundidade e rigidez para trabalhar. A dureza Shore entra justamente nesse julgamento: um pneu que perdeu dureza por envelhecimento ou excesso de calor não oferece a mesma ancoragem.
O selante não altera a dureza Shore do pneu
Uma dúvida frequente em operações com pneus especiais — motos de pilotagem, veículos blindados, pickups de uso severo — é se o selante amolece ou endurece a borracha. A resposta é não. O composto TEX tem pH entre 7,0 e 8,0 (neutro) e não contém colas, adesivos nem vulcanizantes. Ele não reage quimicamente com a borracha, portanto não altera a dureza Shore nem a deformação térmica do composto. A alta viscosidade do gel (gravidade específica 1,08) faz com que ele permaneça em contato com a borracha sem migrar para as camadas internas, e os polímeros e fibras são inertes à sílica dos compostos de alta performance.
Em pneus de competição com compostos macios, o gel permanece inerte e não interfere na curva de aquecimento — como explica o caso das motos de instrutores de pilotagem, que rodam com pneus de composto soft. Em veículos blindados de escolta, o selante adere à banda de rodagem sem reduzir a resistência ou a capacidade de carga do pneu. E em operações de OTR com calor intenso, como o pátio de escória de uma siderurgia, o selante atua como dissipador de calor, ajudando a carcaça a rodar até 30 °C mais fria quando mantida calibrada — o que preserva a dureza original da borracha por mais tempo.
Como usar a dureza Shore na decisão de tratamento
Para quem opera frotas, a dureza Shore não é um dado que se mede no dia a dia, mas é um conceito que orienta decisões. Antes de aplicar o selante, verifique se o pneu está dentro dos limites de sulco (mínimo de 5 mm), sem danos de talão, corte, rasgo ou arrombamento. Se a carcaça está íntegra e o pneu roda calibrado, o selante consegue vedar furos na banda de rodagem de forma imediata e definitiva — enquanto a estrutura permanecer intacta. Se o pneu já perdeu rigidez — seja por borracha envelhecida, lonas rompidas ou reformas mal executadas —, o melhor é substituí-lo antes de tratar, porque o selante não recupera estrutura que não existe.
| Método de ensaio | ASTM D2240 – Durometer Hardness |
|---|---|
| Escalas | Shore A (borrachas) e Shore D (materiais rígidos) |
| Influência na vedação | Direta: carcaça mais dura/íntegra aumenta o fator de vedação |
| Compatibilidade com selante TEX | pH neutro (7,0–8,0); não altera a dureza |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm (TWI 1,6 mm) |