Glossário técnico · Por Jean Hebert
Lonas do pneu
Em resumo
Lonas do pneu são as camadas de tecido ou aço emborrachado que formam a carcaça; são a estrutura que ancora o tampão do selante e define a capacidade de vedação.
Também chamado de: lonas, carcaça do pneu, camadas do pneu, estrutura do pneu, malha de aço.
O selante atua na face interna do pneu, vedando o furo antes que atinja as lonas. Ele não altera a estrutura da carcaça, pois é compatível com borracha butílica e não reage com os componentes têxteis ou metálicos das lonas. O produto age apenas na região do reparo, preservando a integridade das lonas durante a vida útil do pneu.
As lonas são as camadas de tecido emborrachado — e, em muitas construções, malhas de aço — que formam a carcaça do pneu. Em serviço, elas sustentam a carga, mantêm a geometria da banda de rodagem e absorvem as deformações da rolagem. O manual técnico TEX Selantes 2025 chama esse conjunto de “resistência do meio”: tipo e dureza da borracha, lonas e malha de aço definem a robustez do pneu. A banda de rodagem é a região mais resistente, exatamente por concentrar essa estrutura para suportar o contato com o solo.
Mais de 90% dos furos ocorrem na banda de rodagem. É ali que o selante atua com mais previsibilidade, porque a estrutura das lonas dá apoio ao tampão. No ombro e na parede lateral, a flexibilidade da carcaça é outra e a dose padrão não cobre esses pontos. Se houver rasgo, corte ou arrombamento de lonas, não estamos diante de um furo vedável, mas de um dano estrutural.
Por que a vedação é física, e não química?
O selante TEX não é cola nem age por ação química. Sua ação é meramente física: fibras de aramida e polímeros são projetados para dentro do furo e formam um plug de dentro para fora, ancorado na estrutura do pneu. Quanto melhor essa estrutura — mais lonas, maior dureza Shore, melhor qualidade da carcaça — maior é o fator de vedação. O manual é direto: não havendo estrutura, não há vedação.
Essa é a origem da “lei do até”: a capacidade de cada linha é um teto, não uma garantia absoluta. Em motocicletas, o TEX PRO veda furos de até 7 mm. Em equipamentos pesados, o TEX OTR veda até 50 mm ou mais. O mesmo furo de 8 mm pode ser vedado num pneu de carcaça robusta e não fechar num pneu de estrutura fraca. Por isso, pneus rasgados, cortados ou com lonas arrombadas são explicitamente excluídos do campo de aplicação do selante.
Como inspecionar a lona antes de aplicar?
Antes da aplicação, confira o sulco: mínimo de 5 mm. No TWI (1,6 mm) ou abaixo, o pneu não deve receber selante — deve sair de operação. Pneu careca, com deformação, desbalanceado, aro empenado ou com defeito de suspensão e freio também está fora. Na inspeção, procure na banda e no ombro: furo limpo é caso típico; rasgo, borda irregular, estalo, bolha ou lona exposta indica estrutura comprometida.
A calibragem é o que mantém as lonas sadias. O manual mostra que uma carcaça calibrada por longos períodos aquece menos — chega a rodar até 30 °C mais fria. Temperatura é o principal agente de fadiga da carcaça. O selante preserva a calibragem por semanas ou meses, com uma única aplicação, reduzindo o ciclo de recalibragem de 10 a 15 dias que toda frota conhece. Isso protege as lonas, mantém a carcaça apta à reforma e aumenta o número possível de recauchutagens. O custo do tratamento fica entre 10% e 15% do valor de um pneu novo, o que torna a proteção estrutural altamente viável.
Lonas, reforma e o KPI que muda na frota
Para frotas, a lona bem preservada é a diferença entre reformar e descartar. Reparo feito com selante preserva a carcaça para a reforma; em alguns casos, o reparo vulcanizado inutiliza a carcaça para a próxima recauchutagem. Isso aparece diretamente nos indicadores: número de recauchutagens por carcaça, pneus perdidos por microfissura de talão e trocas não programadas por furo. Cada parada evitada é uma rota que não estoura o SLA e uma hora-máquina que não é perdida.
A escolha da linha TEX deve considerar a estrutura do pneu. Para pneus com câmara, a linha TUBELOCK veda até 6 mm; para motos tubeless, o TEX PRO veda até 7 mm; para veículos leves de carcaça reforçada, há linhas que vão a até 12 mm; e para OTR, o TEX OTR chega a 50 mm ou mais. Em todos os casos, o limite é “até” — quem define o teto real são as lonas, a malha de aço e a qualidade da carcaça. Aplicar selante em pneu sem estrutura é transferir para o produto uma responsabilidade que é da carcaça.
Lonas do pneu: guia rápido
| Aspecto | O que verificar | Efeito prático |
|---|---|---|
| Material da lona | Têxtil ou aço, conforme a construção do pneu | Influencia rigidez, resistência e aplicação do pneu |
| Quantidade e disposição | Número e orientação das lonas na carcaça e sob a banda | Afeta estabilidade, suporte de carga e comportamento térmico |
| Integridade da carcaça | Cortes, separação, bolhas ou danos internos nas lonas | Compromete a estrutura e exige avaliação técnica ou substituição |
| Compatibilidade de uso | Especificação do pneu para carga, velocidade e tipo de terreno | Reduz risco de desgaste irregular e falha estrutural |
Leia também
| O que são lonas | Camadas de tecido emborrachado e malha de aço que formam a carcaça do pneu. |
|---|---|
| Papel na vedação | Ancoram o plug físico criado pelo selante; sem estrutura, não há vedação. |
| Resistência do meio | Inclui dureza Shore, lonas, malha de aço e qualidade da borracha. |
| Dano não reparável | Rasgos, cortes e arrombamentos das lonas. |
| Condição de aplicação | Sulco mínimo de 5 mm; no TWI (1,6 mm) ou abaixo, trocar o pneu. |
| Fator de vedação (exemplos) | TEX PRO moto até 7 mm; TEX OTR até 50 mm ou mais. |