Glossário técnico · Por Jean Hebert
Construção (do pneu)
Em resumo · Construção do pneu é o conjunto de características estruturais — borracha, lonas e malha de aço.
Também chamado de: construção do pneu, estrutura do pneu, carcaça do pneu, resistência do meio.
O que é construção do pneu e por que ela decide a vedação
Construção do pneu é o conjunto de características estruturais que forma a carcaça: tipo e dureza da borracha, lonas têxteis ou metálicas e malha de aço. No manual TEX, esse conjunto tem nome próprio — resistência do meio — e é descrito como “as características de construção do pneu ou da câmara de ar, incluindo os tipos e a dureza da borracha, lonas e malha de aço”. Não é detalhe de engenharia: é o primeiro fator que separa um furo vedável de um rasgo que cresce a cada volta.
A ação do selante é física, não química. O gel de alta viscosidade é empurrado para dentro do furo pela pressão e pela força centrífuga, e as fibras formam um tampão ancorado na estrutura. Por isso a regra é simples: sem estrutura, não há vedação. Pneu com a carcaça íntegra veda; pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante. É essa relação entre carcaça e vedação que a blindagem de pneu explora na prática.
Resistência do meio e a lei do “até”
A capacidade de vedação nunca é um número absoluto do selante sozinho; ela é a combinação do composto com a construção do pneu. Quanto melhor a estrutura — dureza Shore da borracha, número de lonas, qualidade da carcaça — maior o fator de vedação. Por isso as fichas técnicas usam “até X mm”: o teto vale para uma carcaça sadia e bem construída. Em uma carcaça de baixa qualidade, o mesmo furo pode não vedar. Não é ressalva comercial; é o mecanismo físico funcionando como deve.
Em pneus com câmara, a construção da câmara também é parte do meio. Para motos com rodas raiadas, a TEX recomenda exclusivamente a câmara TEX TUBELOCK, com 4 mm de espessura e fibras de aramida/Kevlar, já entregue com o composto TEX SUPER. A câmara comum fura antes de o selante agir; a construção reforçada segura o objeto e dá tempo ao gel de vedar.
Como avaliar a construção em serviço
A construção é avaliada em três pontos: banda de rodagem, ombro e paredes laterais. O manual exige sulco mínimo de 5 mm; no TWI (1,6 mm) ou abaixo, o pneu deve ser trocado. Pneu careca, desbalanceado, com aro empenado, freio, suspensão ou alinhamento com defeito também reprova na inspeção. Corte, bolha, malha exposta ou reforma mal feita são sinais de que a construção não está apta. A dose padrão cobre mais de 90% dos furos que ocorrem na banda de rodagem; ombro e flanco não são cobertos. Muitos furos ou furo além do ombro pedem dose acima da tabela.
Vale separar defeito de fábrica de dano de uso. A garantia do pneu cobre defeito de construção — borracha descolada, lona irregular, falha de carcaça — mas não cobre prego, parafuso, arame ou fragmento de metal. Esses objetos são responsáveis pela esmagadora maioria das paradas por pneu em frota urbana, e é exatamente contra eles que o selante age. Uma construção íntegra, com sulco dentro do limite, recebe a aplicação única e passa a vedar os furos no momento em que ocorrem.
Construção, dosagem e reforma
O manual orienta tipo e dosagem “de acordo com o tamanho do pneu, sua construção, qualidade, tipo de operação e severidade”. A construção não muda só a capacidade de vedação; muda a quantidade de produto. Menor movimentação exige maior dose — é o caso de pneus com água — e furos fora do padrão elevam a dose conforme a avaliação técnica. Cada linha TEX tem seu teto: em moto, TEX PRO veda até 7 mm e TEX SUPER até 9 mm; em rodoviário, TEX PRO PLUS chega a 12 mm ou mais; em OTR, TEX OTR veda furos de até 50 mm ou mais. O par correto entre linha e construção é o que sustenta o resultado.
A construção também decide o futuro da carcaça. O selante é solúvel em água e sai na lavagem na hora da reforma; o pneu tratado preserva a carcaça para novas recauchutagens. Em alguns casos, a vulcanização inutiliza a carcaça para a próxima reforma — o selante não. Quando a carcaça está íntegra, o reparo é imediato e definitivo, sem reparo posterior. Por isso, avaliar a construção antes e depois é o caminho para transformar pneu em ativo com mais vidas úteis. No catálogo e no manual, cada linha TEX traz o fator de vedação adequado à construção de cada operação.
| Definição de resistência do meio | Características de construção do pneu ou câmara: tipos e dureza da borracha, lonas e malha de aço |
|---|---|
| Câmara TEX TUBELOCK | 4 mm de espessura, fibras de aramida/Kevlar, já com TEX SUPER |
| Teto de vedação em moto | TEX PRO até 7 mm; TEX SUPER até 9 mm; TEX TUBELOCK até 6 mm |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm; no TWI (1,6 mm), trocar o pneu |
| Faixa térmica do composto | -30 °C a +140 °C |
| pH do composto | 7,0 a 8,0 (neutro, com anticorrosivos) |