Glossário técnico · Por Jean Hebert
Microfissura de talão
Em resumo · Microfissura de talão é a trinca capilar na base do pneu que causa vazamento lento de ar; o selante TEX PRO PLUS veda até 12 mm ou mais, conforme a carcaça.
Também chamado de: fissura de talão, trinca no talão, vazamento no talão, microtrinca no talão.
O que é a microfissura de talão e por que ela derruba um ônibus
Microfissura de talão é a trinca capilar que aparece na base do pneu, na transição entre a carcaça e o aro. No ônibus, ela se manifesta como vazamento lento de ar que não aparece num borracheiro comum: o pneu perde pressão durante a noite, o motorista calibra, a linha sai, e o pneu chega murcho no ponto final. Em operação de BRT ou corredor exclusivo, o pneu esvaziado no meio da faixa bloqueia o corredor e provoca efeito dominó nas linhas seguintes. Fora do corredor, o mesmo vazamento vira atraso de fretamento, passageiro no ponto e multa de concessão.
O caso mais típico aparece depois da reforma. O pneu de ônibus sai da recauchutagem com porosidade aumentada pelo calor da vulcanização e com pequenas fissuras no talão; muitas vezes nem fecha na montagem. Para a frota, isso significa uma carcaça boa descartada, reforma perdida e pneu no estoque, sem gerar km.
A microfissura é diferente de corte, rasgo ou arrombamento. No corte ou rasgo, há perda de estrutura e o selante não tem onde se ancorar. Na microfissura, a carcaça continua íntegra; o defeito é uma passagem de ar capilar. É exatamente nesse caso que a vedação acontece.
Por que o TEX PRO PLUS veda o talão
A ação do TEX PRO PLUS é física, não química. O gel de alta viscosidade carrega fibras de aramida e polímeros que são arrastados até o ponto de escape de ar. Na microfissura de talão, as partículas se acomodam dentro da trinca e o gel age como ligante, formando um tampão flexível e permanente, ancorado na estrutura do pneu. Como não há cola, não há ataque químico à borracha, ao aro ou ao sensor TPMS.
A capacidade é de vedar furos de até 12 mm ou mais, conforme a qualidade da carcaça, no caso do TEX PRO PLUS. Esse “até” não é ressalva comercial: é o mecanismo. A vedação depende da estrutura disponível. Em pneu com talão sadio, a microfissura é selada e o pneu volta a rodar. Em pneu com talão deformado ou com a carcaça comprometida, não há o que ancorar — e aí o caso é de descarte. Por isso, a recapagem é preservada: o produto é solúvel em água e sai na lavagem da reforma, sem deixar resíduo que inviabilize o próximo processo.
O pneu de ônibus tratado desde a primeira vida ainda ganha um efeito extra: a calibragem se mantém por longos períodos, e a carcaça calibrada roda até 30 °C mais fria. Em trólebus ou ônibus elétrico carregado, isso reduz o estresse térmico no talão e ajuda a evitar que novas microfissuras apareçam. Não é promessa de pneu indestrutível; é eliminar a principal causa de perda de pressão e o vaivém de calibragem que aquece o pneu.
Como a frota aplica e o que muda na operação
A aplicação concentra-se na parede interna do pneu, com o selante distribuído entre o aro e o talão na montagem — como mostra o procedimento para pneus com sensor de pressão no bico. A dose segue a tabela por tipo e medida; em pneu com menor movimentação, como trator, a dose é maior. Para ônibus, a categoria de rodoviários traz a orientação por medida e aplicação. Após aplicar, calibra-se com 15 PSI acima da pressão ideal, roda-se para uniformizar e ajusta-se para a pressão de trabalho.
Na prática da garagem, o selante ataca três KPIs ao mesmo tempo: a hora parada do veículo por vazamento, o custo de reparo e o resgate em campo. Um ônibus de fretamento executivo que não estoura o SLA não gera multa; um BRT que não para no corredor não bloqueia a linha; um pneu recauchutado que não vaza no talão não vira carcaça perdida. O custo do tratamento fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo, segundo dados da TEX — e o reparo é único: dura a vida útil da montagem, sem validade e sem reaplicação.
Pneus com TWI ou careca não devem ser tratados; a aplicação exige sulco mínimo de 5 mm e estrutura sadia. A microfissura de talão, quando diagnosticada antes da perda de estrutura, é um dos casos de recuperação de danos mais rentáveis da frota: devolve à operação um pneu que já estava descartado. Para o gerente de garagem, isso significa mais pneus disponíveis, menos pneus no estoque e uma operação que não para no ponto mais crítico da viagem.
| Segmento | Ônibus e rodoviário de carga |
|---|---|
| Produto indicado | TEX PRO PLUS |
| Capacidade de vedação | Até 12 mm ou mais, conforme a carcaça |
| Tipo de ação | Física: fibras de aramida + polímeros formam tampão |
| pH | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Faixa térmica | -30 °C a +140 °C |
| Aplicação | Única, dura a vida útil da montagem |
| Compatibilidade | TPMS, recapagem e aros de aço e liga leve |
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