Glossário técnico · Por Jean Hebert
Dosagem
Em resumo · Quantidade de selante TEX aplicada no interior do pneu, conforme tipo, medida, construção e severidade da operação.
Também chamado de: dose de selante, dosagem de selante, quantidade de selante TEX.
O que é dosagem e por que ela nunca é genérica
Dosagem é a quantidade de selante TEX aplicada no interior do pneu, definida pelo tipo e tamanho do pneu, construção, qualidade, tipo de operação e severidade enfrentada. Não existe dose universal: um mesmo pneu 295 pode rodar no transporte rodoviário ou em usina/entulho — a severidade muda, e com ela a dose ou até o selante ideal. A tabela TEX indica a quantidade mínima para proteção da banda de rodagem, não o teto. Operações de alta severidade devem consultar boletins técnicos, a literatura do manual ou o suporte TEX para ajuste.
O cálculo prático para automóveis de passeio é direto: (largura × perfil × aro) × 3,6 para perfil ≤ 40, ou × 3 para perfil > 40. Exemplo: pneu 225/40R17 → (225 × 40 × 17) × 3,6 = 550 ml. Para motocicletas, use (altura″ × largura″) × 0,066, com mínimo de 240 ml — sempre em polegadas. Menor movimentação exige maior dose: um trator de baixa velocidade precisa de volume maior para compensar o giro lento e vedar com rapidez quando um furo acontecer.
Por que a movimentação, o peso e a pressão mudam a dose
A eficácia do selante depende da relação entre peso, pressão, dosagem, movimentação e resistência do pneu. Um pneu com selante parado, fora do veículo, veda com dificuldade porque faltam peso e movimentação — forças que empurram o gel para dentro do furo. Por isso um trator, que roda devagar, recebe dose maior que um automóvel. A falta de vedação quase sempre vem da negligência em analisar esses fatores no contexto específico de uso.
O nivelamento é a consequência visual desse equilíbrio: na dose padrão, o gel cobre a banda de rodagem. Quando a operação fura acima do ombro (quina) ou no flanco, a dose padrão fica insuficiente — tanto em volume quanto em nível. A correção é ajustar o nivelamento, como no caso real da fazenda de dendê: espinhos de palma perfuravam acima do nível do selante, e a solução foi recalcular a dose replicando o ajuste em toda a frota, não trocar de produto. Em frotas com furo fora do padrão, o procedimento é encher um pneu na vertical com água até o nível de referência, anotar em litros e aplicar a dose corrigida nos demais.
Muitos furos ao longo da vida do pneu, ou furos que avançam pelo ombro, também exigem dose acima da tabela. Não é reaplicação: é a aplicação única já calculada para a realidade da operação, feita uma só vez.
Aplicação na prática: o que a dose mínima protege
A tabela TEX protege a banda de rodagem — onde ocorrem mais de 90% dos furos. Ombro e flanco não são cobertos pela dose padrão; o selante só age onde o gel atinge, e por isso a análise de reincidência é essencial: o que fura, com que diâmetro, em que altura e com que frequência. É essa leitura que transforma dosagem em engenharia de prevenção, não em palpite.
O procedimento de aplicação também faz parte da dosagem. Após aplicar, calibre com 15 PSI acima da pressão ideal, rode para uniformizar e então ajuste para a pressão de trabalho. Nunca quique o conjunto roda-pneu depois da uniformização — o gel volta a se acumular. A dose fica ativa por toda a vida útil do pneu, sem validade interna e sem reaplicação. Para pneus com câmara, como em motocicletas, a TEX recomenda exclusivamente as câmaras reforçadas TEX TUBELOCK (4 mm de espessura, já com TEX SUPER).
A dosagem correta é também o que sustenta os ganhos de frota: pneu calibrado por longos períodos roda mais frio (até 30 °C), preserva a carcaça para a reforma e corta o ciclo de recalibragem de 10 a 15 dias que os fabricantes recomendam. Segundo a literatura dos fabricantes de pneus, calibragem correta poupa em média 8% de diesel e ~6% de gasolina, e aumenta a vida útil do pneu entre 25% e 35%. O custo do tratamento fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo. Cada parada evitada é uma rota que não estoura o SLA.
Confira o manual TEX para a tabela completa de dosagem por segmento e a escolha da linha ideal.
Onde este conceito se aplica
Leia também
| Dosagem automóvel (perfil ≤ 40) | (largura × perfil × aro) × 3,6 |
|---|---|
| Dosagem automóvel (perfil > 40) | (largura × perfil × aro) × 3 |
| Dosagem motocicleta | (altura″ × largura″) × 0,066, mínimo 240 ml |
| Exemplo de cálculo | 225/40R17 → 550 ml |
| Calibragem após aplicação | 15 PSI acima da pressão ideal |
| Cobertura padrão | Banda de rodagem |