Glossário técnico · Por Jean Hébert
Dosagem
Em resumo · Dosagem é a quantidade de selante aplicada dentro do pneu, definida pelo tipo e tamanho do pneu e pela severidade do uso — quanto menor a movimentação do pneu (como num trator), maior a dose necessária para garantir a vedação rápida.
Também chamado de: dose de selante, quantidade de selante, dosagem de aplicação.
Dosagem é uma das variáveis que mais determinam se a blindagem vai funcionar: é a quantidade de selante preventivo colocada dentro do pneu. Ela não é um número único — depende do tipo e tamanho do pneu e do contexto de uso. Como o selante é preventivo, a dose é definida e aplicada antes do furo acontecer, para que o produto já esteja distribuído e pronto a agir no instante em que a perfuração ocorre. Acertar a dose é, na prática, garantir que haja gel suficiente no lugar certo — nem de menos, o que deixaria a vedação falhar, nem fora do critério da tabela.
Os fatores que definem a dose
O manual TEX trata a dosagem dentro de um conjunto de fatores — peso, pressão, movimentação e resistência do pneu — cruzados na tabela de aplicação. Tipo e tamanho do pneu dão a base; a severidade do uso ajusta para cima ou mantém no padrão. É por isso que a mesma medida de pneu pode pedir doses diferentes conforme a operação: um pneu 295 no rodoviário e o mesmo 295 numa usina de entulho têm severidades distintas. A dose não é um palpite — é o encontro entre a geometria do pneu e a dureza do serviço.
Movimentação: o fator menos intuitivo
O ponto que mais confunde é a movimentação. A força centrífuga da rolagem é o que espalha o gel pela parede interna do pneu:
- Um carro roda rápido — a centrífuga distribui o selante com facilidade, então a dose de tabela basta.
- Um trator roda devagar e pesado — com menos movimentação, o selante precisa de volume maior para se distribuir e vedar rápido no momento do furo.
A mesma lógica vale para pneus com lastro líquido e para máquinas OTR de baixa velocidade: quanto menor a movimentação, maior a dose. Não é desperdício — é o volume necessário para que o gel viscoso alcance o ponto de escape antes que o ar se perca.
Quando a dose padrão não basta
A dose de tabela é dimensionada para a banda de rodagem, onde ocorrem mais de 90% dos furos reais. Fora dessa curva, a dose sobe:
- Muitos furos ao longo da vida consomem selante e podem exigir dose acima da tabela.
- Furos além do ombro (a quina), avançando pelo flanco, precisam de ajuste de nível e volume.
- Uso severo — máquinas de baixíssima movimentação, exposição extrema a perfurações — vai a boletins técnicos e ao suporte TEX.
Na prática, quanto mais perto do limite de capacidade de vedação da linha o serviço chega, mais criteriosa fica a dose. Um pneu que trabalha em ambiente de muita perfuração acumula pequenos consumos de gel a cada furo vedado ao longo da vida; dimensionar com essa realidade em mente é o que mantém a blindagem ativa do primeiro ao último quilômetro do pneu.
Dose, viscosidade e vedação
Dose certa anda junto com a viscosidade do gel. O produto é um gel de alta viscosidade (medida em cP/mPa·s por ensaios padronizados); a dose garante volume suficiente para esse gel viscoso se espalhar e formar o tampão flexível no instante do furo. Distribuído de forma uniforme, o selante trabalha por balanceamento hidrodinâmico — preenche microdeformações internas e não se acumula num ponto. E, com a dose correta para o uso, a aplicação é única: dura toda a vida útil do pneu, sem validade interna e sem reaplicação.
Onde a dose não resolve
Dosagem é sobre vedar furos num pneu de estrutura sadia — não é remédio para defeito. Nenhuma dose corrige pneu careca, desbalanceado, com aro empenado ou com problemas de freio, suspensão e alinhamento; pneu rasgado, cortado ou arrombado também não é caso de selante. Esses são casos de contraindicação, não de dose maior. A referência é sempre a tabela de aplicação TEX; em uso severo, os boletins técnicos e o suporte ajustam. Fale com a fábrica pelo catálogo TEX ou consulte o manual.
| Base de cálculo | Tipo e tamanho do pneu (tabela de aplicação TEX) |
|---|---|
| Regra da movimentação | Menor movimentação → maior dose (ex.: trator, baixa velocidade) |
| Uso severo | Ajuste por boletim técnico / suporte TEX |
| Muitos furos ou furo no ombro | Exige dose acima da tabela |
| Fatores considerados | Peso, pressão, movimentação e resistência do pneu |
| Cobertura da dose padrão | Banda de rodagem (mais de 90% dos furos reais) |