Glossário técnico · Por Jean Hebert
Desgaste por fissura
Em resumo · Tipo de degradação progressiva do composto de borracha de um pneu, caracterizada pelo aparecimento de múltiplas microfissuras na superfície, geralmente nas áreas de maior flexão como a base dos sulcos e os flancos. É um fenômeno resultante da fadiga do material por estresse cíclico e envelhecimento, distinto de danos agudos como cortes ou perfurações.
Também chamado de: craqueamento por fadiga, fissuras de fadiga, trincas por ressecamento, craquelamento da borracha.
Caracterização Técnica do Desgaste por Fissura
O desgaste por fissura, tecnicamente conhecido como craqueamento por fadiga, é um tipo de degradação progressiva que se manifesta como múltiplas microfissuras na superfície da borracha do pneu. Diferentemente de danos agudos como cortes ou perfurações, as fissuras resultam do envelhecimento natural do composto elastomérico, acelerado por estresse mecânico e fatores ambientais. Elas aparecem tipicamente nas áreas de maior flexão, como na base dos sulcos da banda de rodagem e nos flancos (paredes laterais).
Para o panorama completo do segmento, veja o guia completo de blindagem de pneu.
Este fenômeno ocorre porque a borracha, ao ser submetida a ciclos contínuos de deformação, compressão e aquecimento durante a rodagem, perde gradualmente sua elasticidade. A exposição ao ozônio atmosférico e à radiação ultravioleta (UV) também ataca as ligações poliméricas do composto, tornando-o mais rígido e suscetível ao surgimento de trincas. Inicialmente, essas fissuras são superficiais e quase imperceptíveis, mas com o tempo e a continuidade das solicitações, podem se aprofundar, comprometendo a integridade estrutural da carcaça. É crucial distinguir este tipo de desgaste de outros danos. Enquanto um corte é um evento singular causado por um objeto afiado, e a abrasão é a remoção de material por atrito, o desgaste por fissura é um processo cumulativo que indica a fadiga do material. A presença extensiva de fissuras é um sinal claro de que o pneu está se aproximando do fim de sua vida útil, independentemente da profundidade remanescente dos sulcos.
Fatores Agravantes e Diagnóstico
Diversos fatores operacionais podem acelerar drasticamente o desenvolvimento do desgaste por fissura. A causa mais comum e impactante é a rodagem com baixa pressão. Um pneu subinflado sofre uma deflexão excessiva em seus flancos a cada rotação, gerando um aquecimento interno superior ao projetado e submetendo a estrutura a um estresse cíclico severo. Esse “excesso de trabalho” acelera a quebra das cadeias de polímeros da borracha, precipitando o aparecimento das fissuras. A sobrecarga do veículo tem um efeito similar, aumentando a deformação do pneu e, consequentemente, a fadiga do material. A condução em altas velocidades por longos períodos também eleva a temperatura interna e intensifica as forças de flexão.
Fatores ambientais, como armazenamento inadequado ou exposição prolongada ao sol, contribuem para o ressecamento e a degradação química da borracha. O diagnóstico é essencialmente visual e deve ser parte da rotina de manutenção preventiva do pneu. Recomenda-se inspecionar cuidadosamente toda a superfície do pneu, com atenção especial à base dos sulcos e à região dos flancos, procurando por redes de pequenas trincas. A TEX Selantes estipula um sulco mínimo de 5 mm para a aplicação de seus produtos. Pneus que apresentam fissuras profundas e generalizadas, mesmo com sulcos acima deste limite, podem ter sua integridade estrutural comprometida e devem ser avaliados por um profissional, pois o selante não se destina a reparar danos estruturais preexistentes.
Ação do Selante Preventivo na Mitigação de Efeitos
Embora o selante TEX não reverta o processo de envelhecimento da borracha nem repare fissuras estruturais já estabelecidas, sua aplicação desempenha um papel fundamental na mitigação dos seus efeitos e na extensão da vida útil do pneu. A principal contribuição do selante é a manutenção da calibragem ideal por períodos prolongados. Ao criar uma camada protetora e flexível na parede interna do pneu, o gel de alta viscosidade veda micro-porosidades e pequenas fugas de ar que frequentemente surgem a partir das fissuras iniciais. Essa ação impede a perda lenta e constante de pressão, que é o principal catalisador do agravamento do desgaste por fissura.
Conforme detalhado em nosso manual técnico, a aplicação em pneus com alguma vida útil ajuda a “cobrir trincas por ressecamentos”, garantindo que a pressão de trabalho correta seja mantida. Ao estabilizar a pressão, o selante TEX reduz a flexão excessiva dos flancos e o superaquecimento, diminuindo o estresse sobre a carcaça e retardando a propagação das fissuras existentes. A formulação com pH neutro (7,0 a 8,0) e agentes anticorrosivos garante que o produto não ataque a borracha nem os componentes metálicos da roda, preservando a integridade do conjunto. Além disso, o efeito de balanceamento hidrodinâmico do selante ajuda a absorver microvibrações, proporcionando uma rodagem mais suave e reduzindo a fadiga geral dos componentes do pneu. A aplicação única do selante oferece uma proteção contínua durante toda a vida útil remanescente do pneu, agindo preventivamente para manter as condições operacionais que minimizam a progressão deste tipo de desgaste.
| pH do Composto Selante | 7,0 a 8,0 (Neutro) |
|---|---|
| Faixa de Temperatura Operacional | -30 °C a +140 °C |
| Componente de Reforço Primário | Fibras de Aramida (Kevlar®) |
| Compatibilidade com Monitoramento | Seguro para sensores TPMS |
| Sulco Mínimo para Aplicação | 5 mm |