Glossário técnico · Por Jean Hebert
Almofada anti-vibração
Em resumo · Camada interna de gel de alta viscosidade que reveste o pneu, veda furos e absorve microvibrações, mantendo o equilíbrio dinâmico da roda em serviço.
Também chamado de: camada anti-vibração, gel anti-vibração, almofada interna do selante, almofada de gel do pneu.
O que é e o que resolve na operação
A almofada anti-vibração é o nome do efeito que o selante TEX cria no interior do pneu: a camada de gel de alta viscosidade que se distribui pela parede interna durante a rolagem e forma um revestimento contínuo. Essa camada veda o furo e, ao mesmo tempo, absorve microvibrações e compensa microdeformações da banda — o mesmo princípio das esferas de balanceamento, mas sem adicionar massa solta. Para quem opera, isso significa pneu que se mantém calibrado por semanas em vez do ciclo de 10 a 15 dias de recalibragem, ausência daquele tremor fino ao volante e carcaça que chega à reforma sem ter trabalhado descalibrada. Em uma escavadeira de rodas que se desloca entre frentes de obra em via pública, por exemplo, o furo que pararia a máquina às 20h — fora da janela de obra de 6h às 22h, com multa de prefeitura no fim — veda sozinho e a operação segue dentro do SLA. É o que o guia de blindagem de pneu chama de proteção contínua do conjunto roda-pneu.
Mecanismo físico: por que a almofada não desbalanceia
A almofada não age por química, e sim por ação física: polímeros e fibras de aramida (Kevlar) são projetados para dentro do furo e formam um plug de dentro para fora, ancorado na estrutura do pneu. Daí a lei do “até”: a vedação depende da qualidade da carcaça, da dureza Shore da borracha e do número de lonas — sem estrutura, não há vedação. Quando o assunto é balanceamento, o gel altamente viscoso não escorre nem se acumula em um ponto; ele se mantém uniforme enquanto o conjunto roda-pneu gira, e os ensaios de viscosidade seguem as normas ASTM D2196/D445. Diferente de selantes aquosos, que deslocam massa e realmente desbalanceiam, a almofada TEX atua como dissipadora e condutora de calor: uma carcaça mantida calibrada por longos períodos chega a rodar até 30 °C mais fria, o que reduz a fadiga da borracha. Se ainda assim houver desconforto ao volante, o balanceamento convencional pode ser feito — inclusive mais de uma vez, sem perda da substância —, desde que na hora de retirar a roda ela não seja quicada no chão: o impacto volta a acumular o gel de um lado e torna o balanceamento falho ou exige carga de chumbo alta demais.
Da moto de entrega à máquina OTR: cada operação com sua linha
A almofada precisa estar na formulação certa para cada operação. Na moto de entrega, o TEX TUBELOCK usa gel de alta viscosidade que não altera a resposta do pneu na curva nem no molhado. No caminhão com roda de ferro, o pH neutro (7,0 a 8,0) e os componentes anti-rust formam uma barreira contra umidade e oxigênio, impedindo a formação de óxidos. Na escavadeira de rodas, o TEX OTR foi desenvolvido para ambiente extremo: testes em câmara térmica simulando mineração pesada entre 60 °C e 80 °C, com ciclos de carga e descarga, confirmaram zero degradação após 1.000 horas. Para veículos leves, a linha TEX BLACK veda furos de até 8 mm, a ECCO TEX de até 10 mm e a ECCO TEX PREMIUM de até 12 mm — sempre desde que o furo esteja na banda de rodagem e a estrutura esteja íntegra. Mais de 90% dos furos acontecem na banda (a área de contato do pneu), e é exatamente ali que a almofada tem a espessura de gel necessária para vedar. Ombro e parede lateral não são cobertos pela dose padrão.
Aplicação única e os cuidados que preservam o efeito
A aplicação é única: a almofada permanece ativa durante toda a vida útil do pneu, sem reaplicação, até a desmontagem para reforma — e é compatível com a recapagem, pois o gel é solúvel em água na hora do serviço e não agride a carcaça. O procedimento correto exige calibrar com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar e depois ajustar para a pressão de trabalho; em frotas com furo fora do padrão, o ajuste de nivelamento corrige a dose sem trocar de produto. Antes de aplicar, o sulco deve ter pelo menos 5 mm; no TWI (1,6 mm) o pneu deve ser trocado, e pneu careca, com aro empenado, desalinhado ou com defeito de suspensão não é caso de selante. Esse conjunto — gel viscoso, pH neutro e proteção anticorrosiva em quatro camadas (pH, inibidores, barreira contra umidade e barreira contra oxigênio) — é o que permite ao pneu rodar calibrado por longos períodos. E a calibragem correta, segundo a literatura dos fabricantes de pneus, poupa em média 8% de diesel e cerca de 6% de gasolina, além de aumentar a vida útil do pneu entre 25% e 35%. Para saber qual linha usar na sua operação, consulte o catálogo e o manual técnico.
| Forma de atuação | Camada contínua de gel de alta viscosidade na parede interna do pneu |
|---|---|
| Faixa térmica de operação | -30 °C a +140 °C |
| pH da formulação | 7,0 a 8,0 (neutro, com anti-corrosivos) |
| Vedação em veículos leves | Até 8 mm (TEX BLACK); até 10 mm (ECCO TEX); até 12 mm (ECCO TEX PREMIUM) |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm (TWI: 1,6 mm — abaixo disso, trocar o pneu) |
| Aplicação | Única, durante toda a vida útil do pneu; sem reaplicação |
| Pressão de uniformização | 15 PSI acima da pressão ideal, seguido de ajuste para a pressão de trabalho |
| Normas de ensaio | ASTM D2196 / D445 (viscosidade); ASTM F2370 / D4827 (selagem) |
| Gravidade específica | 1,08 |