Glossário técnico · Por Jean Hebert
Atrito lateral
Em resumo · Atrito lateral é o calor interno gerado quando o pneu roda descalibrado, com maior contato com o solo; ele aquece a borracha e encurta a vida útil da carcaça.
Também chamado de: atrito interno lateral, fricção lateral, aquecimento por atrito, atrito do pneu descalibrado.
O que é atrito lateral no pneu
Atrito lateral é o calor gerado dentro da carcaça quando o pneu roda com pressão abaixo da ideal. O flanco deforma mais a cada volta, as lonas trabalham fora do desenho original e o contato com o solo aumenta. O resultado é atrito interno, efeito Joule, que aquece a borracha. No curto prazo, o pneu perde aderência e desgasta de forma irregular; no longo prazo, a carcaça chega à reforma cozida, com pouca vida útil.
Não confundir com a aderência lateral das curvas: não é o pneu segurando o veículo na curva, é o pneu trabalhando contra si mesmo por falta de pressão. Um pneu na pressão correta mantém área de contato estável. Quando a pressão cai, essa área cresce e o flanco trabalha demais. Pneus que se esvaziam mais rápido porque não têm selante aumentam a temperatura justamente por esse mecanismo, e isso piora a qualidade da carcaça no momento da reforma.
O elo com a calibragem
A calibragem ideal de um pneu dura em média de 10 a 15 dias. Em uma frota, recalibrar tudo nesse ritmo é caro e humanamente difícil. Quando a operação não consegue, começa o atrito lateral silencioso: o pneu não está furado, está murcho, e murcho esquenta. O Manual técnico TEX 2025 registra que uma carcaça corretamente calibrada por longos períodos chega a rodar até 30 °C mais fria. Trinta graus fazem diferença entre uma carcaça que aceita mais uma recauchutagem e uma descartada no borracheiro.
Por isso o selante não é só tapa-furo. Ao vedar vazamentos e a porosidade natural da borracha, ele segura a pressão por semanas ou meses enquanto o pneu estiver em serviço. O pneu fica calibrado e o atrito lateral diminui. É o segundo grupo de solução do descritivo TEX: otimização da calibragem por longos períodos, antes mesmo da prevenção de furos.
O papel do selante TEX
O selante age de forma física: polímeros e fibras de aramida formam um tampão de dentro para fora, sem cola e sem reação química. Veda furos pequenos na banda de rodagem, microfuros e microporos, inclusive os de pneus recém-reformados que vazam pelo talão. Mantida a estrutura sadia, o reparo é imediato e definitivo. Se a pressão se mantém, o calor por atrito cai.
Os componentes do selante atuam também como dissipadores e condutores de calor, ajudando a carcaça a rodar mais fria. Isso não elimina o atrito físico normal, mas evita o superaquecimento por atrito que aparece em pneus com baixa pressão. Cada operação tem sua linha. Para pickups overland e utilitários, o ECCO TEX PREMIUM veda furos de até 12 mm; em trilha mais pesada, o TEX OFF ROAD veda até 10 mm. No agro, TEX AGRO e TEX LASTRO GEL chegam a 12 mm ou mais; no rodoviário, o TEX PRO PLUS também. A dose é calculada pelo tipo e tamanho do pneu: menor movimentação pede mais selante — um trator recebe dose maior que um automóvel. Furo fora da banda de rodagem tem avaliação própria; o ajuste de nivelamento resolve casos como espinho de palma que perfura acima do nível padrão.
Como medir e o que esperar
Na operação, o KPI é a hora parada: cada parada evitada é uma rota que não estoura o SLA. Selante não dispensa o mínimo: aplicar só com sulco a partir de 5 mm; no TWI, 1,6 mm ou menos, trocar. Pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante. A TEX é clara: não tornamos pneus indestrutíveis. O selante reduz o índice de estouros atacando a causa — o pneu que roda descalibrado e aquece — e, quando o pneu é tratado desde a primeira vida, conforme a capacidade e a qualidade do pneu, o risco de explosão pode até ser eliminado.
A economia aparece em indicadores de frota: número de reparos, pneus perdidos por microfissura de talão, recauchutagens por carcaça, combustível desperdiçado por descalibragem. Segundo a literatura dos fabricantes de pneus, pneu corretamente calibrado poupa em média 8% de diesel e cerca de 6% de gasolina, e aumenta a vida útil entre 25% e 35%. O custo do tratamento fica entre 10% e 15% de um pneu novo. Na prática, a calibragem que se mantém muda o dimensionamento: um pneu que ia para reforma com carcaça cozida pode render mais uma recauchutagem, e um caminhão que parava no meio da rota completa a entrega. A maioria dos furos — mais de 90% — acontece na banda de rodagem, área coberta pela dose padrão. Veja as linhas no catálogo e o procedimento completo no manual.
| Faixa térmica do selante | -30 °C a +140 °C |
|---|---|
| pH do selante | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Capacidade de vedação (ECCO TEX PREMIUM) | até 12 mm, conforme a estrutura da carcaça |
| Capacidade de vedação (TEX OFF ROAD) | até 10 mm, conforme a estrutura da carcaça |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm |
| Carcaça com calibragem mantida | pode rodar até 30 °C mais fria |
| Aplicação | única, enquanto o pneu não for desmontado para reforma |