Glossário técnico · Por Jean Hebert
Coeficiente de atrito
Em resumo · Coeficiente de atrito é a aderência entre pneu e solo; baixa calibragem o aumenta e gera calor, enquanto o selante não o altera e mantém a pressão ideal.
Também chamado de: coeficiente de fricção, coeficiente de atrito pneu-solo, aderência do pneu, coeficiente de multiplicação.
O que o coeficiente de atrito significa no pneu em serviço
Coeficiente de atrito é a medida que relaciona a força de atrito com a força normal entre duas superfícies. No pneu em serviço, é ela que transforma rotação em tração — mas também é o mecanismo que aquece a borracha quando o pneu deforma além do projeto. Pneu descalibrado aumenta a área de contato com o solo, eleva o atrito e o calor, acelera o desgaste principalmente nas laterais e degrada a carcaça. O selante TEX atua nesse ponto: mantém a pressão ideal por longos períodos, evita o atrito excessivo por deformação e protege a carcaça para a reforma. Carcaça calibrada por longos períodos aquece menos e chega a rodar até 30 °C mais fria.
O selante, porém, não altera o coeficiente de atrito com o solo. Ele fica na parede interna, vedando furos e vazamentos; a face externa da banda de rodagem continua 100% borracha original. Por isso não reduz aderência em piso seco nem em piso úmido. Em piso molhado, o coeficiente de atrito cai por natureza; o que define a aderência é o desenho da banda, a pressão e o peso. Quem reduz tração é o spray de emergência, outra categoria de produto, que age na superfície. Selante preventivo TEX não toca a área de contato. Outro ponto: aderência depende de sulco. O manual indica aplicar selante somente com sulco mínimo de 5 mm; no TWI, de 1,6 mm, o pneu deve ser trocado.
Coeficiente de multiplicação da dose: não confundir
O manual TEX usa “coeficiente” em outro sentido: o fator de multiplicação para calcular a dose de selante em pneus de automóvel. Para perfil igual a 40 ou abaixo, o coeficiente é 3,6; para perfil acima de 40, é 3. É um cálculo de volume, sem relação com física de aderência. A fórmula aparece na seção de dosagem e serve para dimensionar a quantidade certa de produto. Em implementos agrícolas, como o pneu de consolidação de plantadeira, a dosagem segue a tabela de aplicação do manual TEX. A regra prática do fabricante: quanto menor a movimentação do pneu, maior a dose. Por isso trator e plantadeira recebem volume maior do que um pneu de passeio. Muitos furos ou furo além do ombro exigem dose acima da tabela.
A plantadeira de soja e a dúvida da tração
O caso clássico é o pneu de consolidação de plantadeira de soja de 24 linhas: medida específica, difícil de encontrar e sem estoque no município. Quando fura na janela de plantio, o pneu leva dias para chegar — e cada dia parado é área não plantada que não volta. O operador ouve dizer que selante reduz aderência no solo úmido e teme perder tração. É mito. Tração depende de desenho da banda de rodagem, pressão do pneu e peso sobre o eixo. O TEX AGRO fica dentro do pneu; não toca a superfície externa. Testes de tração em simulador de piso úmido, com argila e silte, mostram zero diferença entre pneu com e sem selante.
Nessa operação, o selante resolve a dor real: o furo se veda na hora, a janela de plantio continua e a plantadeira não espera pneu. A linha agrícola veda furos de até 12 mm ou mais, conforme a carcaça, e exige estrutura sadia para vedar — pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante.
Pressão constante: o atrito que o selante evita
O coeficiente de atrito com o solo não muda, mas o atrito interno da borracha muda quando a calibragem cai. Pneu murcho tem mais área de contato, deforma mais e gera calor por efeito Joule. O manual TEX relaciona esse calor ao atrito e ao desgaste, principalmente nas laterais. Pneus que se esvaziam rápido aquecem mais, o que piora a qualidade da carcaça na hora da reforma.
Ao vedar furos e vazamentos, o selante mantém a calibragem por semanas ou meses, enquanto o pneu estiver em serviço. Isso reduz o superaquecimento por atrito e elimina parte do ciclo de recalibragem sistemática da frota. O ganho operacional aparece em KPIs concretos: menos hora parada por furo, menos socorro em campo, menos perda de carcaça e mais recauchutagens. O composto é solúvel em água na hora da reforma e não inviabiliza a recapagem. Não tornamos pneus indestrutíveis, mas tiramos da operação a principal causa de calor, desgaste e parada: o pneu rodando com pressão errada.
| Grandeza física | Razão entre força de atrito e força normal (adimensional) |
|---|---|
| Efeito do selante na banda de rodagem | Nenhum — face externa permanece 100% borracha original |
| Coeficiente de multiplicação para perfil ≤ 40 | 3,6 no cálculo de dose |
| Coeficiente de multiplicação para perfil > 40 | 3,0 no cálculo de dose |
| Vedação da linha TEX AGRO | Furos de até 12 mm ou mais, conforme a carcaça |
| Diferença de tração com/sem selante em piso úmido | Zero nos testes com argila e silte |