Glossário técnico · Por Jean Hebert
Desgaste por corte
Em resumo
Tipo de avaria em pneus caracterizado pela remoção ou separação de material da banda de rodagem ou flanco, causada pela ação de objetos afiados e cortantes presentes na superfície de rolamento. Diferencia-se da perfuração, que é a penetração por um objeto pontiagudo, e do rasgo, que envolve uma ruptura estrutural mais extensa com perda de integridade da carcaça.
Também chamado de: corte no pneu, dano por corte, avaria por corte.
Caracterização técnica do desgaste por corte
O desgaste por corte é uma modalidade de dano severo que compromete a integridade de um pneu através da incisão ou cisalhamento da borracha por objetos laminados ou pontiagudos. Diferentemente do desgaste por abrasão, que resulta da perda gradual e uniforme de material devido ao atrito com o pavimento, o corte é um evento agudo e localizado. Ele ocorre quando o pneu passa sobre detritos como fragmentos metálicos, vergalhões, barras de aço, rochas afiadas ou cacos de vidro, comuns em ambientes industriais, portuários, canteiros de obra, operações de mineração e até mesmo em vias rodoviárias mal conservadas.
A mecânica do dano envolve a concentração de força em uma área muito pequena, superando a resistência da borracha ao rasgamento. Um corte pode variar de uma simples fenda superficial a uma laceração profunda que atinge as lonas de reforço e a carcaça, causando perda imediata de pressão. É fundamental distinguir um corte de uma perfuração por prego. A perfuração cria um orifício relativamente circular, mais simples de obturar. Já o corte cria uma fenda linear, que sob a tensão da rolagem e a pressão interna, tende a se propagar, representando um desafio técnico superior para qualquer sistema de reparo. A presença de cortes na banda de rodagem é a ocorrência mais comum, respondendo por mais de 90% dos casos que levam à imobilização do veículo.
Impactos operacionais e a ação do selante preventivo
Em operações críticas, um pneu cortado resulta em paradas não programadas, cujos custos transcendem o valor do pneu em si. Uma empilhadeira parada em um terminal portuário pode atrasar o carregamento de um navio, gerando multas por demurrage. Um trator de pushback imobilizado na pista de um aeroporto compromete a segurança e a pontualidade de uma operação aérea. Em mineração subterrânea, um veículo de transporte de carga (LHD) com um pneu cortado pode representar um risco iminente de instabilidade e acidentes. Nesses cenários, a imobilização do equipamento é o principal vetor de prejuízo.
A solução TEX Selantes atua de forma preventiva para neutralizar essa vulnerabilidade. Aplicado uma única vez na parte interna do pneu, o gel de alta viscosidade forma uma camada protetora. Ao ocorrer um corte, a pressão interna força o gel para a abertura. As fibras de aramida (Kevlar®) e polímeros presentes na formulação se entrelaçam sobre a fenda, formando uma trama resistente que serve de estrutura para o tampão. O gel age como um ligante, consolidando as partículas e criando uma vedação flexível e permanente em segundos, sem a necessidade de parada. A capacidade de vedação é dimensionada para cada segmento, com produtos como o TEX PRO PLUS e o TEX OTR selando cortes de 12 mm até mais de 50 mm, respectivamente, na banda de rodagem, garantindo a continuidade da operação mesmo nas condições mais agressivas. Para saber mais sobre como essa tecnologia funciona, acesse nossa página sobre a blindagem de pneus.
Limitações e condições de aplicação para máxima eficácia
A eficácia de um selante preventivo contra cortes depende diretamente da integridade estrutural do pneu e da correta aplicação do produto. O selante é projetado para vedar perfurações e cortes na área de contato com o solo, a banda de rodagem. Cortes extensos, rasgos que comprometem a estrutura da carcaça ou danos severos no flanco (lateral) do pneu não são passíveis de vedação, pois excedem a capacidade de atuação mecânica do produto e indicam que o pneu deve ser substituído por razões de segurança.
A aplicação do selante TEX é um procedimento técnico que exige a observância de pré-requisitos claros, detalhados no nosso manual técnico. O pneu deve possuir um sulco com profundidade mínima de 5 mm e não pode apresentar defeitos preexistentes, como bolhas, deslocamentos de lona ou desgaste irregular severo. Veículos com problemas de alinhamento, balanceamento ou suspensão devem ser corrigidos antes da aplicação para garantir o desempenho ideal. A dosagem correta, calculada conforme as tabelas de aplicação para cada tipo e tamanho de pneu, é crucial. Doses insuficientes podem não prover a cobertura necessária, enquanto o excesso não traz benefícios adicionais. Ao seguir essas diretrizes, o selante TEX torna-se um componente vital na gestão de frotas, transformando a vulnerabilidade a cortes de um risco operacional imprevisível em uma variável controlada.
| Mecanismo de Ação | Vedação mecânica por fibras de aramida (Kevlar®) e polímeros |
|---|---|
| pH (Potencial Hidrogeniônico) | 7,0 a 8,0 (Neutro, não corrosivo para aros e componentes metálicos) |
| Faixa de Temperatura de Operação | -30 °C a +140 °C |
| Compatibilidade com Recapagem | Totalmente compatível, produto solúvel em água para fácil remoção |
| Capacidade de Vedação (Ex. Industrial/OTR) | De 12 mm até 50 mm+ na banda de rodagem, dependendo da linha de produto |