Glossário técnico · Por Jean Hebert

Desgaste por ozônio

Em resumo · O desgaste por ozônio, ou craqueamento por ozônio, é um processo de degradação química que afeta elastômeros, como a borracha dos pneus, através do ataque do gás ozônio (O₃) às ligações poliméricas. O fenômeno manifesta-se como microfissuras e rachaduras na superfície da borracha, especialmente nos flancos, comprometendo a flexibilidade e a integridade do composto.

Também chamado de: craqueamento por ozônio, fissuras por ozônio, ressecamento por ozônio.

O que é o Desgaste por Ozônio e como ele afeta os pneus?

O desgaste por ozônio é uma forma de degradação material que ocorre quando a borracha de um pneu é exposta ao ozônio (O₃), um gás naturalmente presente na atmosfera. Este processo é fundamentalmente químico: as moléculas de ozônio atacam as ligações duplas de carbono nas cadeias poliméricas que constituem a borracha, quebrando-as. Essa quebra molecular resulta na perda de elasticidade e no surgimento de microfissuras na superfície do pneu. Visualmente, o fenômeno se manifesta como uma rede de pequenas rachaduras, frequentemente orientadas perpendicularmente à direção da tensão, sendo mais visíveis nos flancos do pneu, onde o material é submetido a um constante ciclo de flexão.

Para o panorama completo do segmento, veja o guia completo de blindagem de pneu.

Este tipo de desgaste é distinto de outras formas de avaria. Não se trata de uma abrasão causada pelo atrito com o solo, como o desgaste central ou de ombros, nem de um dano agudo como um corte ou perfuração. É um processo lento e cumulativo, acelerado por fatores ambientais como a exposição à radiação ultravioleta (UV) da luz solar, altas temperaturas e a presença de tensões mecânicas no pneu. Veículos e equipamentos que permanecem estacionados ao ar livre por longos períodos, como tratores em um pátio agrícola ou equipamentos de suporte em aeroportos, são particularmente vulneráveis. A borracha torna-se progressivamente mais dura e quebradiça, comprometendo sua capacidade de vedação e resistência estrutural.

Com o tempo, essas microfissuras podem se aprofundar a ponto de criar canais microscópicos que permitem o escape lento e contínuo do ar, resultando em perda crônica de pressão. É um problema insidioso, pois não há um evento de furo único, mas sim uma porosidade generalizada que compromete a manutenção da calibragem correta, afetando a segurança, o consumo de combustível e a vida útil geral do pneu.

Ação do Selante Preventivo frente à Degradação Ambiental

A estratégia da TEX Selantes aborda as consequências do desgaste por ozônio, não suas causas. Como o craqueamento é um fenômeno de superfície que afeta a borracha externamente, nenhum produto aplicado internamente pode reverter o dano químico já estabelecido. No entanto, a ação do selante é crucial para mitigar o principal efeito colateral deste desgaste: a perda de pressão.

O selante preventivo TEX, um gel de alta viscosidade, é aplicado no interior do pneu e, pela força centrífuga, forma uma camada protetora e uniforme sobre a superfície interna da banda de rodagem. Quando uma microfissura causada pelo ressecamento se aprofunda até o ponto de violar a carcaça e criar um ponto de fuga de ar, o selante age instantaneamente. A pressão interna força o gel para dentro da fissura, onde suas fibras de aramida (Kevlar) e polímeros se entrelaçam, formando um tampão flexível e permanente que veda o vazamento.

Para pneus que já apresentam sinais de envelhecimento, como os que estão na metade de sua vida útil, a TEX recomenda uma dosagem ligeiramente superior (cerca de 10% a mais) para compensar a maior porosidade e a presença de trincas por ressecamento. Esta medida garante que haja material suficiente para vedar as múltiplas e minúsculas vias de escape de ar que caracterizam um pneu envelhecido. Desta forma, o selante não repara a borracha degradada, mas restaura sua capacidade de reter ar, prolongando a vida útil operacional do pneu e garantindo que a pressão ideal seja mantida por muito mais tempo.

Limitações e Práticas Recomendadas

É fundamental compreender os limites da tecnologia. O selante TEX não é uma solução para pneus estruturalmente comprometidos. Se o desgaste por ozônio for tão severo que resultou em rachaduras grandes e profundas, comprometendo a integridade estrutural da carcaça, o pneu deve ser inspecionado por um profissional e provavelmente substituído. O produto é projetado para vedar perfurações e microfissuras, não para reparar falhas estruturais, rasgos ou bolhas.

A aplicação do selante deve ser feita em pneus que ainda possuam condições de uso, com um sulco mínimo de 5 mm. Um pneu que exibe craqueamento avançado por ozônio pode estar próximo do fim de sua vida útil por outros critérios, e a aplicação do selante não isenta o operador da responsabilidade de realizar inspeções regulares. A melhor abordagem é a manutenção preventiva do pneu, que inclui a aplicação do selante em pneus novos ou em bom estado para protegê-los contra furos e gerenciar os efeitos do envelhecimento ao longo de sua vida. A combinação de cuidados externos, como armazenamento adequado e inspeção visual, com a proteção interna oferecida pelos produtos do nosso catálogo, garante máxima performance e segurança.

Especificações técnicas — Desgaste por ozônio
Natureza Química Gel de alta viscosidade com polímeros e fibras de aramida
pH do Selante 7,0 a 8,0 (Neutro)
Faixa de Temperatura Operacional -30 °C a +140 °C
Ação Principal Vedação interna de perfurações e microfissuras
Compatibilidade Pneus com e sem câmara, seguro para TPMS e recapagem

Perguntas frequentes — Desgaste por ozônio

Dúvidas reais sobre o termo, respondidas pela equipe técnica TEX (alinhadas ao manual).

O selante TEX impede o aparecimento de rachaduras por ozônio?

Não. O desgaste por ozônio é um processo químico que ocorre na superfície externa da borracha. O selante atua internamente, vedando as microfissuras que podem causar perda de ar, mas não previne a formação das rachaduras externas.

Como o selante ajuda um pneu que já está ressecado?

O selante veda as microfissuras e a porosidade que surgem com o ressecamento, prevenindo a perda lenta de pressão. Ele restaura a capacidade do pneu de reter ar, embora não reverta o dano estrutural da borracha.

Pneus de veículos que ficam muito tempo parados sofrem mais com ozônio?

Sim. A exposição contínua aos elementos, como sol (UV) e ozônio, sem a flexão regular do pneu durante o uso, acelera o processo de craqueamento. O uso constante ajuda a distribuir os agentes antiozonantes presentes na borracha.

O selante tem alguma propriedade antienvelhecimento para a borracha externa?

Não, a sua ação é exclusivamente interna. O selante TEX não contém componentes que migram através da carcaça para tratar a borracha externa. Sua função é manter a pressão e vedar furos de dentro para fora.

Se uma rachadura por ozônio virar um furo, o selante consegue vedar?

Sim. Se uma microfissura se aprofundar a ponto de criar um caminho para o ar escapar, o selante será forçado para dentro da abertura pela pressão interna, vedando-a instantaneamente com suas fibras e polímeros.

Existe uma dose diferente de selante para pneus mais velhos e ressecados?

Sim. Para pneus na metade da vida útil ou com sinais de ressecamento, recomendamos adicionar 10% à dosagem padrão. Isso garante uma cobertura interna mais robusta para compensar a maior porosidade e as trincas existentes.

A exposição ao sol acelera o desgaste por ozônio?

Sim, a radiação ultravioleta (UV) da luz solar age como um catalisador, acelerando significativamente a reação química do ozônio com a borracha. Pneus expostos ao sol degradam-se mais rapidamente.

O selante protege a parte interna do pneu contra o envelhecimento?

O selante forma uma camada protetora que ajuda a manter a umidade e a flexibilidade do liner interno, além de reduzir a temperatura de operação. Essa proteção indireta pode retardar o envelhecimento da estrutura interna do pneu.

Pneus de equipamentos de pátio, como dollys, são mais suscetíveis a esse desgaste?

Sim. Equipamentos que ficam expostos ao sol e à chuva por longos períodos sofrem uma degradação acelerada por UV e ozônio. O selante é vital para manter a operacionalidade desses pneus, que são propensos a furos e ressecamento.

O que é mais danoso ao pneu: ozônio ou raios UV?

Ambos são danosos e atuam em conjunto. O ozônio ataca quimicamente a borracha, enquanto os raios UV fornecem a energia que acelera essa reação destrutiva. A combinação dos dois é particularmente agressiva.

O selante pode vedar as múltiplas microfissuras que causam perda lenta de pressão?

Exatamente. Esta é uma das principais funções do selante em pneus mais velhos. Ele preenche e veda as pequenas porosidades e microfissuras de dentro para fora, combatendo a perda crônica de calibragem.

Um pneu com muitas rachaduras visíveis ainda pode receber o selante?

Depende da severidade. Se as rachaduras forem superficiais, o selante é benéfico. Contudo, se forem profundas e comprometerem a carcaça, o pneu deve ser avaliado e possivelmente substituído, pois o selante não repara danos estruturais.

A ação do selante contra microfuros de ressecamento é permanente?

Sim. Uma vez que o selante forma um tampão em uma microfissura, essa vedação é permanente e flexível, durando por toda a vida útil restante do pneu. A aplicação do selante é única.

A faixa de temperatura do selante ajuda a combater o estresse térmico?

Sim. O selante opera de -30 °C a +140 °C e ajuda a dissipar o calor gerado na banda de rodagem. Ao reduzir a temperatura interna, ele diminui o estresse térmico sobre a carcaça, que é um fator que agrava o envelhecimento.

Pneus de moto, por serem mais expostos, sofrem mais com ozônio?

Sim, pneus de motocicletas estão totalmente expostos aos elementos ambientais, o que pode acelerar o desgaste por ozônio, especialmente se a moto fica estacionada ao ar livre. Manter a proteção interna com selante é uma medida prudente.

Manter a calibragem correta com o selante ajuda a diminuir o estresse que causa rachaduras?

Sim. Um pneu com pressão correta flexiona conforme projetado, distribuindo as tensões de forma uniforme. O selante ajuda a manter essa pressão ideal, o que minimiza o estresse mecânico que, combinado com o ozônio, acelera a formação de fissuras.

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