Glossário técnico · Por Jean Hebert
Gabarito de qualidade
Em resumo · Padrão técnico TEX que aprova o pneu em serviço para receber selante: exige sulco mínimo de 5 mm.
Também chamado de: padrão de qualidade TEX, critério de aprovação de carcaça, gabarito técnico de pneu, qualidade de carcaça para selante.
O que é o gabarito de qualidade
O gabarito de qualidade é a referência técnica que a TEX usa para aprovar um pneu em serviço antes da aplicação do selante. O manual é claro: o tipo e a dose do composto mudam conforme o tamanho do pneu, sua construção, sua qualidade, o tipo de operação e a severidade enfrentada. O primeiro filtro é estrutural. Pneu rasgado, cortado ou arrombado não é caso de selante — sem estrutura não há vedação. Por isso o gabarito começa na inspeção da banda, do ombro, do flanco e do talão, e termina numa decisão binária: aplicar ou não aplicar.
A aplicação só acontece com sulco mínimo de 5 mm. As barras TWI de 1,6 mm são o ponto de troca: no TWI ou abaixo, o pneu reprova, independentemente do resto da carcaça. Também reprovam pneu careca, desbalanceado, aro empenado e veículo com freio, suspensão ou alinhamento comprometidos. Esse rigor não é burocracia: o selante age de dentro para fora, com partículas sólidas e fibras de aramida que formam um tampão ancorado na estrutura do pneu. Se a estrutura não está sadia, não existe ponto de ancoragem.
Como medir e enquadrar no gabarito
A medição começa com trena e manômetro: conferir o sulco, a pressão e a integridade lateral. Depois, enquadrar o pneu na linha certa do catálogo. Para caminhão, ônibus e movimentação, a TEX PRO PLUS veda furos de até 12 mm ou mais, conforme a qualidade do pneu. Para florestal, a TEX FLORESTAL veda de 10 a 20 mm ou mais. Para mineração e máquinas pesadas, a TEX OTR chega a 50 mm ou mais. O “ou mais” não é marketing: é física. Quanto maior a dureza Shore da borracha, o número de lonas e a qualidade geral da carcaça, maior o fator de vedação. É por isso que um mesmo produto tem capacidade diferente em pneus de fabricantes diferentes.
O gabarito também determina a dose. No automóvel, a dosagem é calculada por (largura × perfil × aro) × 3,6 quando o perfil é ≤ 40, e × 3 quando o perfil é > 40. Na moto, a dose usa (altura″ × largura″) × 0,066, com mínimo de 240 ml — sempre em polegadas, nunca em centímetros. Pneus de menor movimentação, como trator com lastro, pedem dose maior. Furos múltiplos ou além do ombro exigem dose acima da tabela. O ajuste de nivelamento — caso real numa fazenda de dendê, com espinho perfurando acima do nível padrão — mostra que a correção se faz na dose e no gabarito, não na troca do produto.
Onde o gabarito reprova
O gabarito reprova qualquer pneu que não ofereça estrutura de vedação: rasgo, corte, arrombamento, flanco danificado, talão com fissura estrutural ou carcaça com lonas expostas. Também reprova furo fora da área de cobertura: mais de 90% dos furos estão na banda de rodagem, e a dose padrão cobre a footprint; ombro e parede lateral não entram na cobertura da dosagem. Quando a perfuração aparece acima do nivelamento, o procedimento é ajustar o nivelamento com um pneu de referência cheio de água na vertical, anotar o nível em litros e replicar a dose na frota — foi assim que a TEX resolveu o caso da palma na fazenda de dendê.
O gabarito também reprova qualquer expectativa de pneu indestrutível. O selante reduz o índice de estouros porque ataca a causa — pneu descalibrado ou perdendo pressão por furo e porosidade. Quando o pneu é tratado desde a primeira vida útil, conforme a capacidade e a qualidade do pneu, o risco de explosão pode até ser eliminado; mas isso não converte pneu em blindagem absoluta. A honestidade do gabarito é o que faz dele um documento técnico, não uma promessa comercial.
O que o gabarito protege na operação
Aplicado dentro do gabarito, o selante mantém a pressão por semanas ou meses, enquanto o pneu não for desmontado. Isso elimina o ciclo de recalibragem de 10 a 15 dias que os fabricantes de pneus recomendam — uma rotina cara e difícil de cumprir em frota inteira. Carcaça calibrada por longos períodos aquece menos: chega a rodar até 30 °C mais fria, o que preserva a carcaça para a reforma e aumenta o número de recauchutagens possíveis.
Os KPIs que o gabarito protege são diretos: hora parada por furo, custo por reparo, chamado de socorro em campo, recalibragem sistemática, estouros no ano e pneus perdidos por microfissura de talão. Segundo a literatura dos principais fabricantes de pneus, pneu corretamente calibrado poupa em média 8% de diesel e cerca de 6% de gasolina, e aumenta a vida útil entre 25% e 35%. Cada parada evitada é uma rota que não estoura o SLA e um operador que não perde hora-máquina. O custo do pneu tratado fica, em média, entre 10% e 15% do custo de um pneu novo — a única proporção de custo que a TEX publica, sem valor em reais.
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm (TWI: 1,6 mm — abaixo disso, trocar) |
|---|---|
| Faixa térmica de operação | -30 °C a +140 °C |
| pH do composto | 7,0 a 8,0 (neutro, com anticorrosivos) |
| Fator de vedação — TEX PRO PLUS | Até 12 mm ou mais, conforme a qualidade do pneu |
| Fator de vedação — TEX OTR | Até 50 mm ou mais, conforme especificação do pneu |
| Dosagem mínima — moto | 240 ml — fórmula (altura″ × largura″) × 0,066 em polegadas |