Glossário técnico · Por Jean Hebert
Detrito na via
Em resumo
Detritos na via são objetos soltos na pista (pregos, vidros, pedras, metais) que causam furos, cortes e danos estruturais em pneus em serviço.
Também chamado de: detrito na pista, objeto estranho na via, ferragem na rodovia, caco de vidro na pista.
O que o detrito na via faz com o pneu?
Detrito na via é qualquer objeto solto sobre a pista: prego, parafuso, caco de vidro, pedra solta, lasca metálica ou até resto de pneu de caminhão. Em rodovias, aparece com frequência em trechos de obra, saídas de pedreira e postos de pesagem; na cidade, em cruzamentos e ruas recapeadas. O efeito operacional é sempre o mesmo: perda lenta de pressão que termina em furo.
O primeiro sinal para o motorista é a descalibragem: o pneu murcha na manhã seguinte, a direção puxa, o consumo sobe. A mecânica do pneu separa bem os cenários. Mais de 90% dos furos ocorrem na banda de rodagem, a região do footprint que toca o chão — é ali que o prego ou o vidro atravessa a borracha. Quando o detrito é maior, como uma ferragem de construção, o impacto pode atingir o ombro ou a parede lateral, e o dano passa de furo para corte ou rasgo, que nenhum selante resolve. Por isso, em gestão de pneus, a regra é: furo simples na banda de rodagem é caso de selante; rasgo ou corte na carcaça é caso de troca e exige avaliação técnica imediata.
Como o selante TEX responde ao furo?
O selante TEX é um gel de alta viscosidade distribuído na parede interna. Contém fibras de aramida (Kevlar) e polímeros. Quando o detrito perfura a borracha, o ar que escapa aciona o mecanismo: partículas e fibras são projetadas para dentro do furo, e o gel age como ligante, formando um tampão flexível e permanente, de dentro para fora. O reparo é imediato e definitivo — nos casos em que a estrutura do pneu não foi comprometida. Na linha TEX BLACK, para veículos leves, a vedação cobre furos de até 8 mm; na ECCO TEX PREMIUM, até 12 mm. O gel tem pH neutro (7,0 a 8,0), protegendo o aro de aço e de liga leve, e opera em ampla faixa térmica, de -30 °C a +140 °C.
O manual traz o procedimento de campo: quando o furo acontece com o veículo parado, é preciso circular por no mínimo 3 km para a vedação total. Para isso, a recomendação é manter um kit de bomba de enchimento elétrico conectado à tomada do veículo. Após uma aplicação, a calibragem segue uma regra própria: encher com 15 PSI acima da pressão ideal, rodar para uniformizar o gel e só então ajustar a pressão de trabalho. O selante é de aplicação única, dura toda a vida útil do pneu e não tem validade interna. Na reforma, ele sai com água — é biodegradável e solúvel —, o que preserva a carcaça para novas recapagens. Consulte o catálogo de produtos para conhecer as linhas disponíveis.
Dose certa, calculada na notação do pneu
A dose não é por palpite. O manual técnico TEX traz fórmulas baseadas nas medidas físicas descritas na notação técnica comercial. Para automóvel: (largura × perfil × aro) × 3,6 quando o perfil é ≤ 40; × 3 quando o perfil passa de 40. No exemplo de um 225/40R17: (225 × 40 × 17) × 3,6 = 550 ml. Para moto, a fórmula é (altura × largura) × 0,066, com mínimo de 240 ml, sempre em polegadas — nunca centímetros. Menor movimentação exige maior dose, como no caso de tratores. E duas exceções elevam a dose acima da tabela: pneu com muitos furos e furo além do ombro. Veja o manual para a tabela completa de aplicação.
Outro número que o aplicador precisa respeitar é o sulco mínimo: 5 mm. No TWI, o pneu está condenado; aplicar selante em pneu careca ou defeituoso é desperdício. A aplicação correta começa com o pneu em condição de receber tratamento.
Impacto na operação e nos KPIs de frota
Detrito na via é dor típica de frota: a consequência de um furo em rota é a parada — hora-máquina perdida, motorista parado, resgate acionado e SLA estourado. O selante ataca isso pela raiz, pois o pneu vazou? Não: o furo veda na hora. E o efeito secundário é sentido no bolso: a calibragem se mantém por semanas, porque o gel bloqueia a porosidade natural da borracha e veda infiltrações. Segundo a literatura dos principais fabricantes de pneus, pneu corretamente calibrado poupa 8% de diesel e ~6% de gasolina, e aumenta a vida útil entre 25% e 35%.
Além disso, o pneu protegido desde a primeira vida útil reduz os estouros no período: não existe o pneu que se desfaz na rodovia porque perdeu pressão por furo e esquentou além do limite. Esse é mais um KPI de frota — estouros no ano — que o selante ajuda a derrubar. O caminho é sempre o mesmo: escolher a linha certa para o pneu certo, calcular a dose pela fórmula do manual e, em caso de furo com o veículo parado, rodar os 3 km com a bomba elétrica para o selante fazer o trabalho. Para atender melhor cada aplicação, explore a categoria de veículos leves.
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| Capacidade de vedação (veículos leves, TEX BLACK) | até 8 mm |
|---|---|
| pH do selante | 7,0 a 8,0 (neutro) |
| Faixa térmica de operação | -30 °C a +140 °C |
| Sulco mínimo para aplicação | 5 mm |
| Dose para pneu 225/40R17 | 550 ml |
| Distância de rolamento pós-furo | 3 km |