30 de agosto de 2026 · Por Jean Hebert
Selante de pneu para rolo compactador: como escolher
Em resumo
A escolha do selante para rolo compactador segue o porte do pneu e o regime de trabalho. Veja quando usar TEX OTR, TEX PRO PLUS ou TEX OFF ROAD no rolo de pneus.
A pergunta que vem antes de “qual selante”: este rolo tem pneu?
Antes de comparar ficha técnica, uma pergunta elimina metade das cotações erradas: o rolo compactador em questão tem pneu? O rolo de cilindro liso compacta com um tambor de aço, sem câmara de ar, e nenhum selante entra ali — não existe pneu para receber a dose. O rolo de pneus e o eixo traseiro do rolo combinado são os únicos que fazem sentido nesta escolha, e é para eles que este guia serve.
Feito esse corte, sobra a escolha real: qual linha, em qual dose, para qual regime de trabalho. Três parâmetros resolvem essa conta — porte do pneu, gravidade específica do produto e ciclo da obra.
Porte do pneu e regime de trabalho: a tabela de decisão
O rolo de pneus varia de máquina compacta de acabamento a equipamento pesado de terraplenagem, e a linha certa segue essa variação.
| Porte do rolo de pneus | Regime de trabalho | Linha indicada | Teto de vedação |
|---|---|---|---|
| Compacto, acabamento urbano | Ciclo curto, baixa carga | TEX OFF ROAD | até 10 mm |
| Intermediário, obra rodoviária | Ciclo médio, base de pedra | TEX PRO PLUS | até 12 mm ou mais |
| Pesado, terraplenagem e conservação | Ciclo longo, brita solta extrema | TEX OTR | até 50 mm ou mais |
A régua não é rígida: dois rolos de porte parecido podem exigir linhas diferentes se o piso mudar de asfalto recém-lançado para base de pedra recém-espalhada. Quem decide a linha final é a combinação entre a medida do pneu e o material que ele pisa, não só o tamanho da máquina.
Gravidade específica: o número que separa selante de máquina pesada
Gravidade específica é a densidade do produto comparada à da água, e é o primeiro filtro técnico. Um selante com 1,08 g/cm3 carrega fibras de aramida e polímeros em concentração suficiente para preencher e travar um canal de perfuração em borracha espessa. Um produto com 1,02 g/cm3 está a dois centésimos da água pura — o que sobra de sólido nele fecha furo de agulha em câmara fina de bicicleta, não a carcaça de um rolo de pneus.
A diferença aparece em serviço. Em pneu maior, a força centrífuga separa formulações leves: parte escorre, parte se acumula no ponto mais baixo, e a área de impacto fica sem cobertura. A massa de 1,08 g/cm3 mantém o gel coeso e distribuído mesmo depois de milhares de ciclos sobre agregado anguloso.
Dosagem calculável, ajustada ao ciclo do rolo
A dose sai da tabela do manual, conforme o tipo e a medida do pneu, com um ajuste de regime que costuma escapar de quem aplica pela primeira vez: menor movimentação, maior dose. Um rolo de pneus trabalha em vaivém curto sobre a mesma faixa, dando poucas voltas por hora — a dosagem precisa subir em relação à base tabelada para cobrir a parede interna de forma homogênea.
A aplicação é feita pela válvula: retira-se o núcleo com saca-válvula, injeta-se o gel com bomba ou bag de auto aplicação conferindo o volume em jarro graduado, recoloca-se o núcleo e calibra-se 15 PSI acima da pressão ideal, rodando a máquina para uniformizar antes de ajustar para a pressão de trabalho.
Veja o método de aplicação
Não existe vídeo gravado num rolo compactador ainda, mas o vídeo abaixo mostra o mesmo método pela válvula, com bag — a técnica é a mesma em qualquer roda pneumática de linha amarela.
ECCO TEX sendo aplicado com bag
O que fecha a especificação de compra?
Restam os itens de compatibilidade. O pH entre 7,0 e 8,0 vem com proteção anticorrosiva em quatro camadas. A faixa térmica de -30 °C a +140 °C cobre o asfalto quente sob o rolo de pneus. O produto é seguro para TPMS e compatível com recapagem, por ser solúvel em água. Peça sempre os quatro ensaios: ASTM F2370, ASTM D4827, ASTM D2240 e ASTM D2196. Selante que não apresenta gravidade específica nem laudo não é comparável a outro, mesmo que o número final pareça atraente.
Quanto pesa escolher a densidade errada?
A escolha errada custa em furo não vedado: hora de máquina parada (R$ 200), cerca de 2 h de parada (R$ 400) e borracheiro (R$ 150) somam R$ 550 por evento. Um furo por semana soma R$ 2.200 por mês e R$ 26.400 no ano — valor que a densidade certa e a linha certa existem para evitar. O selante não substitui a inspeção do sulco: abaixo de 5 mm, ou no TWI de 1,6 mm, o pneu é de troca, não de aplicação.
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